O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2021
No poema “Vou-me embora para Passárgada”, do autor modernista Manuel Bandeira -diagnosticado com tuberculose aos 18 anos-, ele discorre sobre um desejo de fuga para um local utópico em que não seria limitado pela doença. Concomitante a isso, o estigma associado ao vírus HIV impacta diretamente na qualidade de vida dos infectados. Nesse contexto há dois fatores que não devem ser negligenciados, como: o preconceito social referente ao tema, além do desconforto do infectado diante do diagnóstico.
Em primeira análise, o preconceito social referente ao vírus está associado a uma repetição de paradigmas concatenados ao tema. Pois, consoante ao pensamento do filósofo alemão F. Nietzsche, a sociedade é composta por convenções necessariamente preenchidas por padrões. Dessa forma, se a pauta sempre foi discriminada, tende a seguir o mesmo modelo.
Além disso, o desconforto sentido pelos infectados após o diagnóstico da enfermidade está atrelado ao entendimento superficial sobre o tema. Visto que, de acordo com as ideias de A. Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, os limites do campo de visão de uma pessoa terminam o seu entendimento sobre o mundo que a cerca. Por conseguinte, se o conhecimento em relação a temática é limitado ao senso comum, o sentimento de desconforto diante do diagnóstico tende a aumentar.
Dessarte, para que a sociedade detenha domínio sobre o assunto e o campo de visão se amplie, quebrando padrões sociais de preconceitos tanto de infectados quanto dos demais indivíduos, urge que o Ministério da Saúde, em parceira com o Ministério das Comunicações, divulguem mais conteúdos com essa abordagem, através de campanhas educativas publicadas em redes sociais e tv aberta. Dessa maneira, a população brasileira terá autoridade sobre a pauta e os impasses apresentados não afetarão a qualidade de vida dos infectados, bem como na sociedade fictícia de Manuel Bandeira.