O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2021
No filme Carandiru, estreado em 2003, são relatados os desafios que a equipe de saúde encontra para promover a prevenção e o tratamento de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), na Casa de Detenção de São Paulo, em 1992. Entretanto, de lá pra cá, não houve mudanças relevantes nesse cenário, quando falado em números de casos dessas doenças, pelo contrário, são crescentes os casos de exposição ao vírus do HIV. Nesse contexto, os desafios ainda encontrados pelo Brasil consistem na falta de informação sobre a gravidade da aquisição do vírus e o seu não tratamento, o preconceito que essas pessoas recuperar, assim como, o não acesso a saúde.
É importante pontuar que as formas de transmissão do HIV, são de conhecimento de grande parte da população, principalmente do “grupo de risco”: pessoas de 17 a 32 anos. Entretanto, o número de pessoas contaminadas pelo vírus desde 2003, época do filme, aumentou mais de 70%. Isso acontece porque, junto com o avanço no tratamento e o aumento da expectativa de vida dos portadores dessas doenças, pode-se observar um grande estigma associado ao vírus e uma banalização do uso de ferramentas de prevenção, como os preservativos. Consequência dessa realidade, o Ministério da Saúde divulgou que, só em 2016, constatou-se mais de 3 mil novos casos de HIV no país e 30% morreram por causa das DSTs.
Atrelado à essa adversidade, o preconceito sofrido pelas pessoas expostas ao vírus ainda é expressivo. Casos como consequências vão desde a não busca pelo tratamento até a desistência dele, o que abri portas para chamadas doenças oportunistas, como pneumonia, leptospirose, hepatite, neoplasias entre outras, que agravam o estado do doente e pode levar-lo à morte. E ainda e não tão raro, a falta de acesso aos meios de prevenção e tratamento é um dos fatores mais agravantes para que essas doenças ganhem mais espaço no Brasil, tendo em vista que a prevenção é a melhor arma para interromper o ciclo de transmissão.
Em sintese, é inegável que o problema do avanço das DSTs exige mudanças urgentes. Portanto, cabe às escolas, ao Ministério da Saúde e como ONGs da área, criar mecanismos mais eficazes que aproximem a população, em especial os adolescentes, das prevenções não só contra o HIV, como de todas as DSTs, por meio de palestras e debates nas salas de aula, nas ruas e nos meios de comunicação. Além disso, o Estado deve reforçar as políticas, junto ao Ministério da Saúde, acerca dos métodos de tratamento que podem chegar ao alcance de toda a sociedade brasileira, a fim de diminuir o número de novos casos de HIV e, consequentemente, garantir qualidade de vida aos que adquirirem não só essa como qualquer outra doença.