O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 29/09/2021

Fredy Mercury, Renato Russo e Cazuza são alguns dos nomes de famosos que são soropositivos no mundo. Em analogia, nota-se que a realidade desses cantores também é a de muitos brasileiros, mas que majoritariamente encontram o problema da segregação social ao se inserirem nessa parcela de contaminados, em decorrência do preconceito da sociedade e da ineficiência estatal sobre o tema.

De início, é válido ressaltar que a própria massa social é um dos grandes agravantes do estigma relacionado a doença. Nessa lógica, pode-se rememorar o pensamento do filósofo francês Pierre Bourdieu a respeito do conceito de Habitus, o qual explica o comportamento da população em perpetuar costumes, mesmo que errados, ao longo das gerações. Não distante do raciocínio, percebe-se que essa teoria se faz presente no Brasil quando os indivíduos propagam o imaginário social de que todo portador do vírus deve ser isolado socialmente ou, inclusive, relaciona a doença à homoafetividade ou prostituição. Por conseguinte, ao não questionar a equivocacidade desses hábitos, o preconceito contra soropositivos normaliza-se na mentalidade brasileira e torna-se de difícil desconstrução. Assim, é evidente que, enquanto a desmitistificação de crenças populares não ocorrer, infectados com a AIDS não conviverão apenas com o vírus, mas também com a discriminação.

Além disso, outro agente problemático no que concerne à estigmatização da doença é o Estado. Nesse viés, na série britânica “Sex Education”, da Netflix, a mãe do protagonista incentivava no filho e na escola dele a importância da educação sexual entre jovens através do ensino do uso de preservativos, por exemplo. Fora da ficção, nota-se que essa prática se valeria de suma necessidade, já que a negligência do governo com campanhas anti-HIV ajudariam na disseminação de conhecimentos sobre o combate a doença, o que não ocorre de fato. Em consequência, ao escolher ser displicente com o problema de como evitar o crescimento de soropositivos no país, não só a problemática torna-se estereotizada com a ausência de debates sociais, mas também essa própria parcela. Desse modo, é fulcral intensificar projetos que orientem a população e incentivem ela a encarar a doença, ao invés de estigmatiá-la.

Portanto,  urge-se a necessidade de soluções dos empecilhos que os causadores intensificam na aba educacional. Para tal, as escolas, grandes influenciadores da mentalidade social, com ajuda do governo, atue focando em crianças e adolescentes, por meio de projetos informativos administrados pelos próprios alunos, e que especificamente sejam abertos ao público e divulgados pelas mídias municipais. Isso tem o objetivo de atingir toda população para desmistificar o preconceito social e os esteriótipos, construídos ao longo do tempo, através da educação sexual, além de amenizar a negligência estatal.