O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2021
A tela “Nu descendo uma escada”, de Marcel Duchamp, busca representar o movimento, como se estivesse um passo atrás em oposição às ideias futuristas. Analogamente, saindo da representação artística, percebe-se que o atraso se perpetua diante da questão do estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Dessa forma, é necessário analisar as raízes da problemática, que é intensificada pela manutenção de fatores históricos e culturais que desencadeiam o preconceito e pela desinformação acerca do tema.
Em primeiro lugar, é notório que a atual sociedade brasileira herdou o preconceito de gerações anteriores quando trata-se dos portadores do vírus HIV. Nessa perspectiva, o filme “Filadélfia” conta a história do advogado Andrew Becket, que ao ser diagnosticado como soropositivo recebe sua demissão e sofre diversas formas de preconceito. Assim, ao tomar como base a trama ficcional, o preconceito contra indivíduos infectados pelo vírus, pode ser aplicado à realidade do Brasil, que garante, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a igualdade de todos os indivíduos perante a lei, porém, apenas uma parcela da população pode desfrutar daquilo que deveria ser acessível para todos. Por conseguinte, a grande desinformação é um fator que colabora com a manutenção de mitos em torno da doença viral, trazendo como consequência o aumento da exclusão dos infectados. Nesse sentido, na obra “Totem e tabu” do psicanalista Sigmund Freud, ele busca analisar a gênese dos totens (símbolos sagrados e respeitados) e dos tabus (proibições de origem incerta) que cercam e cerceiam as liberdades individuas e coletivas de uma determinada sociedade. Dessa maneira, ao ser feito um paralelo da obra com a sociedade brasileira, identifica-se os indivíduos soropositivos como pertencentes ao “tabu”, pois, o pouco que é discutido sobre as condições dos mesmos, muitas vezes é acompanhado pela ignorância de muitos fatos e pela imposição de outros de natureza desconhecida.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Nesse contexto, o Ministério da Saúde em conjunto com ONG´s especializadas no assunto deve, por meio de campanhas midiáticas, trazer pessoas infectadas pelo vírus, de diversos grupos étnicos, diferentes orientações sexuais e entre outros, para que a sociedade reconheça que o diagnóstico de soropositivo pode ser recebido por qualquer um, as propagandas também devem conter informações sobre a doença e sua forma de contágio, tal ação irá promover informação para a população e ceder a visibilidade e a inclusão daqueles que possuem o HIV. Assim sendo, o problema será resolvido e o atraso retratado na obra modernista ficará restrito apenas a ela.