O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 29/09/2021
De acordo com o filósofo Nicolau Maquiavel, os preconceitos, dentro da lógica social, têm mais raízes do que os princípios e virtudes. Essa perspectiva torna-se transparente ao analisar os estigmas associados ao vírus HIV, causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), e relacioná-los às correntes conservadoras de preconceito, fomentadas pela ignorância informacional da população.
Em primeira análise, é necessário compreender as raízes do preconceito associado ao HIV, transladado diretamente dos estigmas sociais em relação à homossexualidade. Na centralidade das expansões dos Estados Nacionais, sobretudo na Idade Média, a visão religiosa direcionou a ideologia racional da época. A partir da construção de uma imagem pecadora e negativa da homossexualidade, consolidou-se o preconceito social a esses indivíduos. Consoante ao fato anterior, partindo da impossibilidade de gravidez e dos movimentos de liberdade corporal, o sexo desprotegido e frequente tornou-se prática comum e possibilitou o surgimento exponencial de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s). Sendo assim, essas doenças, dentre elas o HIV, foram ligadas ao já existente estigma sexual e incrementadas de insegurança, medo e ignorância, dificultando a socialização e o tratamento dos afetados.
Nesse âmbito, é possível explicitar a ignorância populacional como um dos fatores que agregam para a permanência desse estigma associado ao vírus do HIV na sociedade. De acordo com o educador e pensador Paulo Freire, a arma mais forte contra os “tabus” e as intolerâncias na sociedade é a educação. A partir dela, cria-se a devida construção do conhecimento sobre o vírus, sua proliferação, os cuidados a serem tomados para remediar, os corretos tratamentos para os infectados e o respeito e tolerância dentro da sociedade.
Portanto, a fim de mitigar os estigmas associados ao vírus HIV na sociedade brasileira, é necessária a educação sexual e informacional adequada da população. A princípio, o Ministério da Educação deve implantar nas escolas nacionais uma reforma da grade curricular, na intenção de aderir, de maneira didática, responsável e consciente das limitações racionais de cada idade jovem, a temática da sexualidade. Por meio de aulas ministradas por profissionais da saúde e psicólogos, ambos capacitados pedagogicamente, deve-se ensinar o respeito, a higiene e os limites do comportamento sexual-social, para assim, consequentemente, reduzir o estigma associado às IST’s, logo, do HIV. Além disso, o Ministério da Saúde deve, por intermédio das redes sociais e mídias gerais, complementar o conhecimento da sociedade sobre o HIV e outras IST’s por meio de vídeos simples e didáticos nesses canais, na intenção de educar e conscientizar sobre a intolerância na sociedade.