O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito“, frase do célebre cientista do século XX, Einstein. A partir dessa passagem, o estudioso reforça a ideia de que estigmas sociais são de difícil alteração. Não obstante, essa realidade ainda se repete no século XXI, visto que pessoas com o vírus HIV, por exemplo, ainda sofrem discriminação devido, principalmente, à desinformação, a qual gera dois desafios, um social, contra o tabu dessa doença, e outro medicinal, pois, em geral, a população brasileira não está atualizada acerca dos tratamentos médicos oferecidos às pessoas soropositivas.
Primeiramente, o desafio social referente ao HIV surgiu desde sua epidemia nos anos 80, porque pouco se sabia sobre a doença. Entretanto, atualmente, o conhecimento adquirido com tempo não alcançou por completo a nação brasileira, de modo a manter atitudes preconceituosas contra um grupo de indivíduos com HIV. Fato é, não raro, que o apoio e reconhecimento dessa luta são imprescindíveis para a mudança de postura social. Para exemplificar, o modo gentil da princesa Diana para com os infectados pelo vírus, chegando a apertar a mão dessas pessoas, descredibilizou o imaginário popular que defende a exclusão social do determinado grupo, possibilitando maior contato e apoio interpessoal.
Outrossim, a desatualização social acerca do tratamento e da transmissão do vírus HIV dificulta o controle dessa doença na sociedade. Isso ocorre porque a moral coletiva de uma grande parcela nacional ainda associa a pessoa com a doença neste século, com a do século passado, quando a enfermidade foi nomeada como ¨epidemia gay¨ e foi criticada baseada em crenças ainda defendidas no presente. Com isso, o SUS -Sistema Único de Saúde-, o qual oferece gratuitamente tudo que o paciente com HIV necessita, objetivando tornar o vírus, além de controlável, como várias outras doenças, intransmissível, devido a supressão das taxas virais no organismo humano, encontra-se com alcance, indiretamente, reduzido pela discriminação direcionada ao público soropositivo.
Ante o exposto, cabe ao poder público informar a população brasileira acerca do vírus HIV, mediante intervenções midiáticas, como propagandas com discursos de profissionais capacitados, debatendo as dificuldades enfrentadas por pessoas soropositivas e defendendo a socialização delas no espaço social, a fim de mitigar o preconceito. Ademais, é dever dos estudantes de saúde apresentar esclarecimentos sobre as ínfimas chances de transmissão do vírus HIV por pessoas com tratamento adequado no SUS, para atualizar a nação acerca das circunstâncias favoráveis que a medicina ofertou.