O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 30/09/2021
No livro “Depois daquela viagem”, da escritora Valéria Piassa, é narrada a história de uma adolescente portadora de HIV, que contorna os preconceitos e o sofrimento de viver com essa doença. Fora do tablado literário, a realidade das pessoas que vivem com o HIV não é muito diferente da história retratada no livro, tendo em vista os estigmas associados aos soropositivos na sociedade brasileira. Esse triste cenário, ocorre em razão não só da manutenção do preconceito no complexo sociocultural, mas também devido à falta de informação e consciência social dos cidadãos.
A princípio, vale ressaltar o legado preconceituoso ao se tratar de sexualidade e de doenças como o HIV na construção sociocultural do Brasil, que é reverberado diariamente. Nesse sentido, segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, que caracteriza o homem brasileiro como cordial, o qual age pela emoção, na medida em que qualifica a discriminação como hábito ou valor louvável pelo corpo sociocultural, que é perpetuado cotidianamente. Sob essa ótica, enquadra-se a realidade de estigmas associados as pessoas portadoras de HIV, pois o preconceito como ação social banal, maltrata, isola e até pode matar, influenciando na desistência do tratamento por essas pessoas estigmatizadas socialmente. Portanto, fica evidente a persistência de legado ignorante, perpetuado pelo preconceito do corpo social, que dificulta o fim dos estigmas contra os soropositivos e a interação social.
Ademais, a falta de informação e consciência social dos cidadãos aliadas ao preconceito enraizado legitima a perpetuação de estigmas associados ao HIV na sociedade brasileira. Consoante a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, assegura à todos os indivíduos a plenitude de igualdade e bem-estar como direito fundamental. No entanto, na prática tal garantia é deturpada quando se observa o preponderante preconceito contra os soropositivos no Brasil, dificultando, deste modo, a erradicação das diferenças, da exclusão e da discriminação. Nesse contexto, o Estado se mantém negligente acerca de ações de conscientização social e debate abertamente sobre o tema. Dessa forma, revela-se a incomplacência governamental, promovendo a persistência desses estigmas, reproduzindo-se sobre a exclusão social e moral dessas pessoas.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor.Nesse viés, cabe ao Estado — como órgão soberano politicamente organizado — demonstrar maior protagonismo na busca da quebra de estigmas associados ao vírus HIV, por meio da conscientização social, mediante ações em conjunto com o Ministério da Educação na promoção de educação sexual: debates e palestras com especialistas que pautem essa realidade.Afim de ultrapassar certos tabus e favorecer uma vida digna, sem estigmas a essa parcela da população.