O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 30/09/2021

O Mito da Caverna, de Platão, é uma alegoria filosófica a qual representa um grupo de pessoas que se recusam a enxergar a verdade a respeito do mundo, em virtude do receio de abandonar a zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se a mesma conjuntura na realidade brasileira no que concerne ao estigma associado aos portadores do vírus HIV, problema negligenciado e insuficientemente combatido. Nesse viés, é preciso analisar a influência da falta de discussão no âmbito familiar e midiático sobre esse cenário.

Em primeiro plano, é lícito afirmar que a problemática encontra terra fértil na ausência de diálogo por parte da família. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer traz uma importante contribuição para o assunto ao afirmar que os limites do campo da visão determinam a opinião de um indivíduo em relação ao mundo. Sob tal óptica, depreende-se a necessidade de discutir, dentro do ambiente familiar, sobre o preconceito contra soropositivos, como forma de combatê-lo. Dessa forma, será possível, futuramente, moldar um pensamento coletivo consciente acerca da questão da inclusão de pessoas com HIV na sociedade.

Outrossim, outro fator que contribui para a perpetuação da discriminação contra portadores do vírus é a neutralidade midiática. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi feito para ser instrumento de democracia não deve ser convetido em instrumento de opressão. Nessa perspectiva, é nítida a imprescindibilidade da participação da mídia no combate ao preconceito direcionado aos soropositivos. Desse modo, conclui-se que é preciso a atuação dos veículos de informação mediante campanhas publicitárias focadas em descontruir os estigmas negativos disseminados em relação ao HIV. Assim, a sociedade poderá solidarizar-se com o doentes e acolhê-los, ao invés de excluí-los.

Por conseguinte, medidas são necessárias para erradicar o estigma associado aos soropositivos no Brasil. Dessa maneira, é essencial que o governo, em parceria com a mídia, promova campanhas publicitárias que abordem o preconceito contra o HIV, contando com a participação de soropostivos reais. Em suma, nessas campanhas, essas pessoas devem contar sobre suas experiências com a discriminação e desmistificar ideias negativas atreladas à doença. A partir disso, será viável a conscientização geral sobre o respeito e o acolhimento aos cidadãos portadores de HIV.