O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 14/10/2021

A filósofa alemã Hanna Arendt, vítima da opressão nazista, reflete a banalidade do mal na sociedade, avaliando como indivíduos agem de maneira preconceituosa naturalmente, influenciados pela mentalidade vigente. Diante disso, no meio cívico brasileiro, observa-se a existência de julgamentos equivocados aos cidadãos acometidos pelo HIV, atitudes inclusas na “banalidade do mal”, intensificados pela visão mercadológica do ser humano, bem como pela pouca discussão acerca da doença.

Sob essa ótica, o indivíduo representa uma força de trabalho no meio hodierno, extremamente excludente, o que amplia o senso de competição das pessoas. Diante dos fatos, Eliane Brum, colunista do jornal El País, discute a influência da aceleração contemporânea no mercado laboral, e afirma que a competição distancia os cidadãos da empatia, no texto Exaustos, correndo e dopados. Nesse viés, fundamentado na mentalidade apresentada, soropositivos são, erroneamente, vistos como “inválidos de guerra”, pois apresentam uma possível desvantagem salutar na disputa mercadológica. Dessa forma, observa-se como o mecanismo de ascenção financeira amplia os desafios de uma pessoa portadora do HIV, que além de lidar com a doença, é vítima de um preconceito fundamentado na produtividade sobrehumana.

Além disso, o pouco conhecimento sobre determinado assunto é um potencializador de julgamentos incoerentes, evidenciados nas questões que aflingem soropositivos. Fato que comprova tal perspectiva é o filme Clube de compras Dallas, que retrata um protagonista, heterossexual, que passa por diversas situações homofóbicas por apresentar HIV, considerado por muitos como “doença de homossexual”. Nesse sentido, fora da ficção, a pouca compreensão da virose pelos indivíduos acarreta a criação de rumores inverídicos, análogo ao filme, o que dificulta o cotidiano das pessoas acometidas pelo retrovírus. Logo, analisa-se como a insuficiência do número de debates acerca do HIV proporciona o aumento de estigmas na sociedade brasileira.

Evidencia-se, portanto, que para assegurar a redução de concepções equivocadas sobre a Aids e, consequentemente, garantir que menos soropositivos sejam alvos de situações preconceituosas, é relevante ao Ministério da Saúde ampliar a distribuição de informações esclarecedoras sobre a doença, por meio de propagandas nas Redes Sociais, feitas por personalidades famosas que sejam portadoras do vírus HIV, com videos de fácil entendimento, exemplificando as formas de transmissão e as consequências da doença, além de enfatizarem a importância do apoio da familia ao cidadão acometido pelo retrovírus. Assim, o meio se desenvolverá em desacordo à banalidade do mal.