O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 03/10/2021
No filme “Cazuza - O Tempo Não Para”, é retratada a vida e a carreira do cantor Cazuza, que no ano de 1989 anunciou ao Brasil que era soropositivo, mostrando a todos o sofrimento físico e clínico da doença, mas também o sofrimento social por conta do preconceito que sofreu. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no contexto brasileiro vigente, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV é uma questão recorrente. Logo, fazem-se exige medidas para o fim de amenizar esse impasse, que dentre as principais causas estão crenças preconceituosas e falta de educação sexual nas escolas.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar que as convicções estigmatizadas estão entre as principais causas do preconceito associado ao vírus. Nessa óptica, segundo o Programa das Nações Unidas UNAIDS, 64, 1% das pessoas que têm HIV sofreram alguma forma de discriminação. Dessa forma, pessoas que discriminam soropositivos causam sofrimento na vida dos mesmos, uma vez que além de precisarem lidar com as dificuldades que a doença trás, essas pessoas têm de enfrentar discriminação nos espaços públicos e instituições privadas o que gera hostilidade e exclusão que têm que ocorrer sua condição sorológica revelada. Portanto, é inaceitável que tal problemática continue ocorrendo.
Ademais, a falta de orientação sexual nas instituições de ensino é mais um fator que agrava o impasse. Nesse contexto, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), menos de 20% das escolas do país têm projetos amplos e contínuos de educação sexual. Desse modo, como escolas não aplicam tal disciplina na série escolar, colaboram para que os jovens se tornem adultos desinformados sobre assuntos como gravidez, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, o que contribui para que os mesmos fiquem suscetíveis a contrair DST’s como a AIDS, tendo em vista que podem não saber como formas de contágio da patologia. Logo, enquanto nada for feito para mudar, o problema permanecerá constante no Brasil.
Evidencia-se portanto, que crenças preconceituosas e a falta de orientação sexual nas escolas contribui para a existência de estigmas associados ao vírus HIV e que, assim, são necessárias mudanças. Para tanto, é necessário que o Estado, por meio do Ministério das Comunicações (Mcom), utilize propagandas e post’s nos meios midiáticos, informando sobre as consequências da discriminação na vida de soropositivos, um fim de conscientizar a população sobre os efeitos do preconceito na vida dos mesmos. Bem como se faz necessário que o Poder Legislativo crie uma lei que insira uma disciplina “educação sexual” nas escolas do Brasil, para que assim os jovens fiquem informados sobre o tema. Assim, será possível garantir que os soropositivos não sofram preconceitos e também uma redução de casos de AIDS no Brasil.