O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
O filme ‘‘Bohemian Rhapodsy’’ aborda a história da banda europeia ‘‘Queen’’, a qual tinha como vocalista o icônico Fred Mercury, artista que escondeu do público por anos que era portador do HIV, por medo de ataques de ódio e julgamentos. Essa infeliz realidade de preconceito ainda é vivenciada no Brasil hodierno pelos soropositivos, o que dificulta o bem-estar destes. Nesse contexto, torna-se urgente discutir os perigos da estigmatização com os indivíduos infectados por AIDS no cenário social brasileiro, juntamente com os malefícios gerados por essa na vida pessoal do soropositivo.
A priori, cabe analisar que Caetano Veloso, em sua música ‘‘Sampa’’, destila: Narcísio acha feio o que não é espelho. Tal trecho revela o caráter preconceituoso do indivíduo brasileiro com tudo aquilo que é avesso de si. Assim, as pessoas soropositivas, por serem vistas como diferentes, sofrem com esteriótipos relacionados à infecção, sendo considerados anormais, sujos ou libertinos sexuais. Essa estigmatização com portadores da AIDS interfere não só no desenvolvimento de relacionamentos amorosos, como também de amizades e até mesmo no campo profissional. Diante disso, quem possui tal infeccção tende a ficar à margem da sociedade e sofre não só com o processo de tratamento da doença, como também com a exclusão social.
Ademais, é importante entender que o livro ‘‘A Metamorfose’’ , do escritor Franz Kafka, retrata a história de Gregor que, ao ser transformado em um inseto monstruoso, sofre subversão da própria família, contexto que o leva à uma crise existencial a qual dificulta o processo de aceitação da sua nova condição. De maneita análoga, as pessoas soropositivas são vítimas de preconceitos e estigmas, sendo afastadas por muitos ao seu redor, o que compromete diretamente o tratamento contra o retrovírus. Tal fato ocorre pois, ao sofrerem exclusão e ficarem sem rede de apoio, tornam-se mais vulneráveis a entrar em negação ou não lidarem de maneira correta com o tratamento, além do sentimento constante de solidão. Diante disso, pessoas portadoras do HIV perdem a dignidade inerente à condição humana e são vistos (e tratados) como um monstro kafkiano.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o Brasil precisa tomar medidas para lidar com os estigmas relacionados ao vírus HIV na sociedade, a fim de gerar o bem-estar da nação. Urge, portanto, que o Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, promova uma série televisiva chamada ‘‘A Verdade Por Trás do HIV’’ , que não só retrate de maneira realista o que a infecção realmente é, como também aborde relatos da vida pessoal de quem a possui, mostrando de maneira sensível e humana toda a verdade atrelada aos preconceitos e estigmas, com a finalidade de quebrar preconceitos, desmistificar tabus e naturalizar tal realidade no Brasil para, assim, gerar um país mais unido e inclusivo.