O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 01/10/2021
Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantida a igualdade e a não discriminação entre as pessoas. Entretanto, no atual contexto social brasileiro, há a estigmatização de indivíduos soropositivos, o que vai de encontro aos termos constitucionais. Dessa forma, é válido analisar os motivos desse acontecimento, a citar, a falta de conhecimento sobre o tema, e a perpetuação de visões retrógradas sobre essa doença.
De início, é válido analisar que a pouca abordagem pela sociedade da condição dos afetados pelo HIV, é um dos principais pilares da estigmatização. Nessa lógica, Marcia Tiburi, filósofa brasileira, afirma que o preconceito é resultado da falta de conhecimento sobre um determinado tema. Seguindo essa linha de pensamento, o desconhecimento das formas de contágio, por exemplo, permite que noções erradas sobre a doença se perpetue, fazendo com que as pessoas, por não saberem lidar com essa situação, evitem os infectados pelo vírus, criando tabus que excluem os portadores e discriminem esses indivíduos. Assim, a disponibilização de informação é um passo para romper com o estigma dos doentes.
Ademais, tem-se a perpetuação da estigmatização dessas pessoas pela falta de conscientização geral da população. Nesse sentido, o pensador Émile Durkheim afirma que determinadas formas de ser são mal vistas na sociedade. Nesse panorama, contrair o HIV é visto pelo corpo social de forma extremamente preconceituosa, ocorrendo a exclusão desses indivíduos nos meios trabalhistas e familiares, por exemplo, e punindo socialmente estas por causa de sua condição de saúde, evitando-as e tratando de forma inferior essa parcela dos cidadãos, além de outras formas de violência, como a física e psicológica. Logo, uma abordagem retrógrada da doença atrapalha os que buscam uma melhor condição de vida.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a resolução dessa problemática. Para isso, cabe às instituições de ensino, como responsáveis por lutar contra pensamentos atrasados, combater o estigma associado aos indivíduos portadores de HIV. Isso deve ser feito por meio da abordagem dessa temática nas salas de aula, com a presença de professores capacitados, em que se demonstra não só os aspectos biológicos da doença, mas também os sociais, como o preconceito vivenciado por essas pessoas. Essa ação tem como objetivo conscientizar a população e romper com os aspectos discriminatórios contra uma parcela da população.