O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 02/10/2021
No filme da Marvel, X-Men, os humanos tratam os mutantes como uma doença destruidora que precisa urgentemente de cura, uma raça distinta que precisa ser apagada. Analogamente, o Vírus da imunodeficiência humana é condenado pela sociedade brasileira e isso influencia diretamente na procura por tratamento e diagnóstico da enfermidade. Dessa forma, as pessoas que são infectadas ou convivem com o vírus são alvos de um preconceito resultante de uma má herança cultural que surgiu juntamente com a doença e persiste por desinformação da população, esses aspectos constituem o estigma que priva os portadores de conforto na convivência social e isso precisa ser sanado.
Em primeira análise, é necessário observar que o HIV ainda é equivocadamente interpretado como uma doença marginalizada e isso explica a origem de todo o preconceito a que está submetido, persiste o tabu de que o vírus está vinculado a grupos específicos como homossexuais, bissexuais, profissionais do sexo, etc. Dessa forma, isso desencadeia várias complicações para o cenário da problemática, os portadores sentem-se culpabilizados pela infecção e, coagidos, ignoram a busca por ajuda, fato que precariza o controle da epidemia e aumenta o índice de mortalidade da enfermidade, conforme evidencia a Organização das Nações Unidas (ONU) com registro de aumento de mais de 20% nos casos de HIV no Brasil.
Ademais, assim como afirma o psicanalista e escritor, Eunilto Carvas, o que não se conhece é temido, portanto a falta de conhecimento a respeito da doença prejudica a capacidade da sociedade de aceitá-la. Sob esse viés, grande parte da população ainda acredita que o vírus pode se propagar pelo ar, por proximidade e etc, quando na verdade a doença é majoritariamente transmissível através de relações sexuais, por exemplo, e isso transforma a imagem do portador para algo altamente infeccioso do qual deve-se manter distância. Nesse âmbito, a ONU destaca que mais de 800 mil pessoas convivem com o HIV no Brasil, fato que evidencia a necessidade de se combater esse estigma associado à enfermidade para que desta forma seja possível proporcionar qualidade vida e inclusão social aos soropositivos.
Depreende-se, portanto, que o estigma associado ao HIV é recorrente e precisa ser combatido. Dessa forma, o Ministério da Saúde juntamente com o Governo deve divulgar mais informações sobre a doença, por meio de campanhas de conscientização em centros comunitários e propagandas em canais abertos de televisão e redes sociais para que o preconceito seja extinto e se possa prover auxílio e inclusão aos portadores. Somente dessa forma o Brasil deixará de temer o desconhecido e trilhará um caminho para se tornar um país mais igualitário e sadio.