O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 03/10/2021

Na trama brasileira “Malhação - Viva a Diferença”, Henrique é portador do vírus HIV e sofre bastante com isso, ao longo da história ele tenta esconder esse segredo dos colegas, com intuito de evitar julgamentos. Fora da narrativa, essa é a realidade de muitas outras pessoas, sobretudo no Brasil. Isso ocorre devido ao hábito de maltratar o diferente e a desinformação acerca do tema. Em decorrência disso, há estigmas graves aos quais o portador pode sofrer como, por exemplo, depressão e exclusão social.

Em primeiro lugar, o filósofo Pierre Bourdieu, em sua teoria “habitus”, defende que o homem incorpora as estruturas sociais impostas a sua realidade, em seguida, naturaliza tais padrões e por fim, os toma como hábitos por muitos anos. Portanto, o ser humano nasce sem ser preconceituoso, entretanto ao longo da infância e da adolescência, por influências de outros, passa a maltratar as pessoas com características distintas, como os portadores do HIV. Além disso, grande parte da população não tem ciência de como a patologia atua no corpo e principalmente as formas de transmissão dela. Devido a isso, o preconceito é intensificado pelo medo do contágio, complicando ainda mais o cotidiano do enfermo.

Em segundo lugar, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 900 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Porém, além dos estigmas associados à virose, o preconceito e a desinformação traz novas consequências, como a depressão e a busca pela exclusão social. Problemas que juntos destroem a vida de qualquer ser humano. Pois, a primeira é conhecida como o mal do século e segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país mais deprimido da América Latina, essa colocação é bastante influenciada pelo preconceito exacerbado da população. Concomitantemente a isso, o segundo é causado pela falta de empatia e agrava a depressão, porque a natureza do ser humano é ser sociável e apenas assim ele se desenvolve. Logo, o portador vive sem um princípio básico, não conseguindo relacionar-se com outras pessoas em todos os ambientes que frequenta.

Diante do exposto, é fundamental acabar com os estigmas associados ao vírus do HIV. Para isso, é de extrema importância que o Ministério da Saúde, através de mídias como o Instagram, Tiktok e Youtube, em parcerias com influenciadores digitais, faça vídeos de conscientização, abordando como são as formas de contágio e como a patologia funciona. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação realize palestras educacionais para crianças e adolescentes, mostrando formas de incluir os portadores nas brincadeiras diárias. Dessa forma, os problemas sofridos por Henrique serão evitados nas próximas gerações.