O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
O poeta pós-modernista, Manoel de Barros construiu em suas obras a “Teologia do Traste”, a qual consiste em dar valor a assuntos muitas vezes esquecidos ou ignorados. Em consonância à lógica barrosiana, é preciso rever as frequentes entraves da realidade social, as quais comprometem a igualdade de todos os cidadãos. Nesse sentido, o estigma relacionado ao vírus da Imunodeficiência Humana precisa ser reanalisado, visto que essa entrave é pautada devido a cultura de muitas nações e, a persistência do sentimento de inferioridade frente as pessoas que contrairam a patologia.
Primeiramente, na Roma Antiga as crianças ao nascerem eram conduzidas até um grupo de anciãos para então, serem analisadas com intuito de descobrir se possuíam algum “defeito”. Nesse mesmo cenário, aquelas consideradas enfermas eram negligenciadas socialmente ou até mesmo executadas, o que revela a formulação de uma exclusão histórica. Atrelado a isso, as pessoas soros positivas ainda lidam com essa problemática construída desde antiguidade, já que lidam fortemente com o preconceito na contemporaneidade, sendo exemplificadas pelos artistas Cazuza e Freddie Mercury. Concomitantemente, o Ministério da Saúde afirmou que em 2020, 950 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. Dessa forma, é imprescindível combater esse âmbito excludente, rompendo com o passado.
Outrossim, romper com o estigma ligado às pessoas com AIDS é visar construir uma sociedade igualitária. Em consonância a isso, os Direitos Humanos prevê em seu artigo 6° que todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei. Entretanto, a visão de inferioridade frente aos indivíduos que convivem com o vírus HIV, demonstra que a igualdade está meramente no papel e não é verdadeiramente aplicada. Isso posto, é evidente que o pensamento de muitos sobre as pessoas com tal patologia é de que essas são debilitadas e assim, incapazes de realizar certas tarefas, como no campo profissional. Logo, a persistência desse sentimento agrava essa problemática mundial.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos com a intenção de que todos os cidadãos sejam verdadeiramente vistos como iguais, rompendo o estigma. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em paralelo ao da Educação, formule campanhas de maior conscientização sobre o vírus HIV, por intermédio de trabalhos feitos em classe, além de debates sobre a importância de romper com a exclusão histórica formulada devido à cultura de nações, como a Roma Antiga, visando construir nos jovens um sentimento de igualdade coletiva independente de alguma doença. Ademais, esse órgãos governamentais devem usar das mídias digitais para levar informação à população como um todo. Enfim, tal quadro poderá ser reduzido paulatinamente.