O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 01/10/2021
Na série adolescente “Elite”, é retratada a mudança negativa comportamental de jovens para com a personagem Marina, após ela ter decidido contar a eles sobre sua soropositividade. Paralelamente, tal reação não se distancia da sociedade brasileira, uma vez que os estigmas relacionados ao vírus da imunodeficiência humana ainda estão extremamente presentes. Nesse contexto, percebe-se a caracterização de um impasse, o qual se enraíza tanto na falta de informações sobre o HIV entre adolescentes, adultos e populações com baixas condições socioeconômicas, quanto na intolerância vivida por vítimas dessa patologia.
Em primeira análise, vale salientar que há um aumento no número de jovens acometidos por essa infecção sexualmente transmissível, principalmente pela falta de informações e resistência aos exames e ao uso de preservativos. Nesse viés, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por conta do tratamento eficaz no controle aos sintomas e quadros graves de Aids, o qual possibilitou aos infectados uma vida mais próxima da normalidade e uma diminuição das mortes, muitos passaram a achar que se passa de uma doença simples e comum, resultando em descuidos na hora do ato sexual, além de maior resistência aos exames laboratoriais. Ademais, aqueles que contêm poucas informações sobre o tema e sobre as formas de transmissão, reúnem ainda um maior descuido, podendo prejudicar assim, diversas pessoas com desiguais condições econômicas e sociais.
Outrossim, segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Nesse âmbito, a frase do famoso físico se aplica e se torna pertinente, até porque, mesmo tendo a consciência de que atualmente, pessoas soropositivas podem manter seus tratamentos e seguir a vida normalmente, na maior parte das vezes são excluídas e sofrem discriminações. Seguidamente, tais comportamentos alheios se tornam um empecilho no tratamento de HIV, posto que se observa um desânimo e isolamento das vítimas, que chegam até mesmo a desistir dos medicamentos e cuidados, podendo levá-las a morte.
Portanto, infere-se que devem ser tomadas medidas capazes de mitigar essa problemática. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Saúde divulgue, de forma igualitária a todas as camadas da população, informações sobre a imunodeficiência humana, como formas de transmissão, gravidade da doença, além de demonstrar a importância de tratar os infectados com respeito e igualdade, seja por meio de campanhas, palestras dentro das escolas ou programas de televisão, destinando verbas para tais acontecimentos, a fim de que todos tenham a chance de saber e conhecer a importância do uso de preservativos e de exames detectantes da Aids, diminuindo, assim, o número de contagiados.