O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 13/10/2021

Na série “Sex Education” é retratado o preconceito vivido por estudantes que possuem doenças sexualmente transmissíveis devido à cultura preconceituosa e à falta de informação nas escolas. Fora das telas, no Brasil hodierno, muitos indivíduos soropositivos são excluídos pela sociedade em virtude do preconceito e da falta de conhecimento da população acerca dessas doenças. Por conseguinte, é necessária a ação estatal para diminuir o impacto causado pelos estigmas associados ao HIV.

Em primeiro plano, nota-se que a cultura preconceituosa existente faz com que os estigmas associados ao HIV aumentem no território brasileiro. Dessa forma, analogamente ao período da Peste Negra no século XIV – o qual retratou os diversos atos preconceituosos e excludentes sofridos pelos indivíduos contaminados por conta do estigma enraizado -, infere-se que a existência de valores culturais de aversão às doenças implica na exclusão dos cidadãos contaminados. Sendo assim, tendo em vista o fato supracitado, muitas pessoas soropositivas são excluídas do convívio social por conta da presença de uma cultura de medo e preconceito em relação as pessoas contaminadas com o HIV na população. Assim sendo, é necessário a quebra desse preconceito para promover uma sociedade livre de estigmas arcaicos.

Outrossim, é inegável que a falta de uma educação atual é um dos impulsionadores para a persistência da problemática no Brasil. Sendo assim, ao não promover uma educação voltada à saúde, como previsto na Constituição Federal de 1988, o Estado infringe a prerrogativa supracitada por não promover um espaço de debate voltado aos tratamentos de pessoas com HIV e a diminuição dos riscos de transmissão com o uso das medicações. Consequentemente, devido à infração da lei pelo poder público, muitas pessoas possuem estigmas associados ao HIV na sociedade por não saberem que essa doença possui tratamento e que os riscos de contágio diminuem com o tratamento médico, uma vez que o órgão responsável não fornece uma educação de qualidade. Logo, é mister afirmar o cumprimento da lei para a quebra de estigmas associados ao HIV na nação.

Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com as secretárias de saúde estaduais, promover palestras nas cidades – focadas no preconceito vivenciado por pessoas soropositivas -, com o intuito de quebrar os valores culturais que propagam a aversão às pessoas com HIV. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cultura, fornecer uma educação sobre a saúde - centralizada no debate sobre o tratamento de cidadãos com HIV -, com a finalidade de transparecer o risco de contágio com o uso da medicação e o perigo gerado pela repulsão aos doentes. Destarte, a adoção de tais medidas contribuirá para a suavização dos estigmas associados ao HIV.