O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 01/10/2021
A primeira temporada da série, espanhola, “Elite”, conta a respeito de uma jovem portadora do vírus HIV. Nesse mundo utópico, ao contar para seus colegas sobre sua condição, é perceptível uma forte repulsa de todos e, infelizmente, isso acontece de maneira similar na realidade brasileira. Desse modo, a falta de informação acerca desse vírus, é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento, visto que, há, além disso, banalização da doença na sociedade brasileira.
De início, é imperioso destacar a falta de abordagem a respeito das dst’s como influeciante na problemática. Sendo assim, de acordo com o psicanalista Freud, o tabu possui dois sentidos: um sagrado e outro proibido. Diante disso, percebe-se que a hodierna sociedade brasileira trata o sexo, bem como as doenças provenientes do mesmo, como algo ilegítimo de ser comentado, haja vista o raso número de campanhas de prevenção das doenças, assim como a inexistência da educação sexual na grade curricular das escolas. Por conseguinte, o indíviduo que é soropositivo se cala e se isola para que outras pessoas não tomem conhecimento do seu quadro, e, consequentemente, prejudica sua saúde mental e sua qualidade de vida.
Sob esse âmbito, é nótorio afirmar a irresponsabilidade dos indivíduos, que mesmo com a grande parcela da população tendo acesso à informações acabam não praticando o uso de preservativos de maneira segura. Nesse caso, a escassez de ser um assunto sempre colocado em pauta com frequência como nos anos 80, quando se deu início a proliferação do vírus, torna coadjuvante para o descaso da sociedade. Nesse contexto, segundo o filósofo Thomas Hobbes é dever do Estado garantir o bem-estar da população, visto que a minimização de palestas e programas para a importância do uso de preservativos contribui para o relaxamento social. Por conseguinte, faz-se necessária a atuação governamental para essa problemática, dado que o risco da vida de um indivíduo por essa causa é contrário à regalia prevista na Constituição, o direito à saúde.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação modificar a grade curricular ds instituições educacionais, de forma que contemple a educação sexual. Tal ação deve ser feita de modo que seja debatido as doenças sexualmete transmissíveis seus meios de transmissão e formas de se prevenir. Assim, será possível quebrar o tabu que existe em torno desse assunto e, consequentemente, reduzir a transmissão do vírus. Ademais, urge a necessidade do Ministério da Saúde em inovar nas campanhas de uso de preservativo e no respeito aos infectados, tais campanhas devem ser divulgadas por meio das redes sociais, a fim de alcançar o máximo de indivíduos possiveis e alterar seus hábitos imprudentes, seja pelo estigma aos contaminados, seja pela prevenção que, muitas vezes, não é priorizada.