O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 01/10/2021

De acordo com  a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, todo ser humano possui direito à dignidade humana. Entretanto, na atual sociedade brasileira, indivíduos portadores do vírus do AIDS são vítimas de discriminação e, portanto, possui a dignidade afetada. Com isso, cabe analisar o preconceito aliado ao desconhecimento sobre a doença na população e a falta de medidas governamentais para a inclusão de pessoas soropositivas no meio social.

Primordialmente, o avanço da medicina contribuiu para a diminuição de casos de HIV e para a melhoria de pessoas portadoras da doença na contemporaneidade. Nessa perspectiva, mesmo com tal avanço, o preconceito e o medo perpetuam na sociedade. Desse modo, de acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o meio social está inserido no “Habitus”, o qual consiste na exteriorização da interiorização de maus costumes enraizados na população, como, por exemplo, a ideia adquirida de que as pessoas diagnosticadas com o vírus do HIV são de baixo prestígio social e estão destinadas à morte pela doença.

Ademais, é notório perceber a dificuldade de encontrar ofertas de empregos na atual sociedade brasileira. Concomitante ao assunto, indivíduos diagnosticados como portadores do vírus HIV encontram impasses mais difícies por conta de tal condição de saúde e, consequentemente, pela discriminação existente no meio meio social. Dessa maneira, segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, o Estado, por meio do contrato social, deve garantir os direitos do cidadão,  como o direito ao trabalho. Com isso, com a atuação do governo, a parcela de 19,9% de pessoas soropositvas que já perdeu fonte de renda ou emprego, segundo o IBGE ( Instituto Brasilerio de Geografia e Estatística), poderá diminuir gradativamente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Sáude, promover a conscientização da população acerca do  vírus, por meio de campanha em todos os Estados nas redes do Sistema Único de Saúde (SUS), as quais evidenciem os avanços da medicina no tratamento da AIDS e na prevenção, com o objetivo de garantir a diminuição do preconceito acerca dos soropositivos existente na sociedade. Além disso, o governo, como gestor dos direitos coletivos, deve promover o aumento da igualdade das ofertas de emprego, por meio da criação de uma lei que destine uma porcentagem de empregos nos recintos empregatícios para indivíduos soropositivos, com o objetivo de garantir que  portadores do vírus HIV não percam seus trabalhos, com isso, tais medidas garantirão o direito à dignidade humana presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos.