O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 01/10/2021
Na série de sucesso “Elite” é apresentada a personagem Marina, jovem soropositiva que omite a doença de seus colegas e familiares, para evitar ser alvo de discriminação. Ao sair do contexto ficcional, é fato que a vivência da personagem pode ser associada à realidade de milhares de brasileiros diagnosticados com HIV, que devido ao estigma associado ao vírus, não buscam o tratamento adequado e melhorias na qualidade de vida. A partir da análise dessa questão, percebe-se que o preconceito está relacionado não só à falta de informações, como também à carência de políticas públicas mais eficazes e inclusivas.
Em primeiro plano, é necessária a compreensão de que o desconhecimento acerca da doença é o principal fator para a disseminação de preconceitos, uma vez que o medo do contágio é convertido na culpabilização do indivíduo soropositivo, e consequentemente em seu isolamento. Nessa ótica, um levantamento realizado pela Agência Brasil aponta que 46,3% das pessoas com HIV já foram vítimas de discriminação – porcentagem significativa que demonstra a persistência do preconceito no país. Desse modo, percebe-se que enquanto não forem estabelecidas campanhas de combate à desinformação, o preconceito continuará expressivo.
Ademais, é pertinente ressaltar o papel do Estado no atual cenário. Nessa perspectiva, apesar da Constituição Cidadã de 1988 definir o bem-estar como um direito inabalável de todos os cidadãos, é fato que o sucateamento da sáude pública restringe essa garantia aos soropositivos, que enfrentam dificuldades no acesso a tratamentos humanizados em diversas regiões do país – realidade que constrasta com os ideais do filósofo Aristóteles, defensor da política como meio de garantir felicidade à população. Fica claro, pois, a importância do Governo na promoção do diagnóstico precoce e tratamento adequado ao público com HIV.
Portanto, conclui-se que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse. Urge que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, amplie o projeto de tratamento e prevenção do vírus do HIV. Para tanto, devem ser criadas mais unidades de atendimento especializado, com a presença de médicos e psicólogos qualificados, para garantir o melhor tratamento possível aos pacientes. Além disso, o Ministério deve vincular propagandas informativas em escolas e meios de comunicação, com o objetivo de combater as fake news acerca do tema. Assim, somente com esses esforços, será possível pôr fim ao estigma existente – garantindo, com isso, que histórias como a da personagem Marina continuem apenas na ficção.