O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
O filme “O ano de 1985”, mostra a vida de um jovem que possui HIV que é perseguido por uma sociedade preconceituosa, homofóbica e que repudiava qualquer notícia sobre a doença. Fora da ficção, refletir sobre o estigma associado a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida no Brasil é imprescindível, uma vez que a discriminação para com os portadores é causada pela falta de informação e omissão do Estado, prejudicando a prevenção e a busca pelo tratamento do antígeno.
Historicamente, durante as décadas de 1969 - 1980, ficou conhecido um movimento norte americano que tinha como objetivo a livre sexualidade e reuniu 400 mil “Hippies” durante três dias com o slogan “Sexo, drogas e Rock’n Roll”, chamava-se “Woodstock”. Por conseguinte, as “Terras Tupiniquins” e vários outros países da América foram fortemente influênciados por esse ato de protesto, mas a imprudência desses atos sexuais deram lugar a AIDS. Paralelo a isso, segundo o Ministério da Saúde, 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, e a maioria não teve acesso a uma educação sexual ou não procurou ajuda depois de descobrir a doença. Consequentemente, evitar a acentuação desses casos no país ainda é um desafio nos dias atuais, já que mesmo depois de anos, o assunto ainda é um tabu para muitas famílias brasileiras.
Outrossim, a síndrome é fonte de um esteriótipo em que está associado á crenças, atitudes e sentimentos negativos em relação a pessoas homossexuais ou que exercem prostituição. Na série “Pose”, o espectador mergulha na pandemia do HIV dentro da comunidade LGBTQIA+ em Nova Yorque dos anos 80, mostrando o impacto da doença e do preconceito na narrativa de mulheres trans negras. Dessa forma, é notório que a estigmatização apresentada na série dialoga com os dias atuais, já que segundo o Ministério da Saúde, 70% dos brasileiros ainda não sabem que tem o vírus. Dentro dessa óptica, o medo de procurar conhecimento sobre o assunto, serviços e métodos que reduzam o risco da infecção é constante, pois são perseguidos pelas raízes do imaginário brasileiro.
Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com o Ministério da Saúde, fazem-se necessárias no direcionamento de verbas para a distribuição de preservativos em maiores quantidades e também disponibilizar em postos de saúde o exame para a identificação da doença. Além disso, o Ministério da Educação entrar nessa parceria para incentivar, por meio de campanhas e palestras nas escolas, a educação sexual e a quebra desse estigma associado apenas a uma comunidade. Assim, preparando os futuros jovens e adultos para a prevenção de problemas mais graves e evitando a vergonha nos casos dos que obtiverem positivo nos testes.