O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, observa-se que na contemporaneidade o oposto que o autor prega, visto que, o estigma associado ao vírus HIV apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Logo, é evidente que esse cenário antagônico é fruto da ineficiência governamental em comedir esse revés nacional, mas também o preconceito vigente em torno da doença.

Em primeira análise, é necessário pontuar a ineficiência governamental como causa latente do problema. Sob essa perspectiva, é crescente o número de soropositivos na sociedade brasileira nos últimos anos, comprovando que essa quantidade é devida, em grande parte, ao afrouxamento da prevenção no ato sexual por parte da população. Tal realidade é confirmada por uma reportagem do portal UOL, de 2019, segundo a qual o Brasil registrou aumento de 21% em casos de HIV nos últimos anos.  De modo que, isso termina por ratificar um juízo do filósofo Sócrates de que ‘’os erros são consequência da ignorância humana’’, no caso, a não prevenção sexual para se proteger dessa síndrome.

Outrossim, é de suma importância apontar o preconceito vigente em torno da doença como fator que corrobora esse empecilho. Na série americana “Grey’s Anatomy”, num de seus episódios é abordado um paciente com o vírus HIV, onde o mesmo é tratado com indiferença após contrair uma “doença de homossexual”, como era denominada na época. Adiante, sobre esse contexto preconceituoso, a opinião e o pensamento tanto  popular quanto governamental, foram moldados para a exclusão e a marginalização dos infectados, conforme o Ministério da Saúde, 45% dos portadores não recebem ajuda psicológica ou médica do governo. Ou seja, o alastramento da doença, que poderia ser contido com políticas públicas, é postergado pelo preconceito social que perpetua um pensamento arcaico e excludente no Brasil.

Portanto, o problema em questão e as falhas governamentais que o maximiza devem ser combatidos. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Saúde e Estados, por meio de resolução com aplicabilidade imediata, melhorar o programa de combates a DSTs com palestras semestrais nas escolas e grupo de orientação preventiva nos postos de saúde, a fim de reduzir o avanço desse mal. Ademais, deve-se veicular campanhas informando à população que a AIDS ainda não tem cura por isso a melhor forma de prevenção é o uso de preservativos nas relações sexuais. Assim, o Brasil será uma nação que segue a lei e os preceitos iluministas de sociedade.