O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

No filme “A cura”, é retratada a história de um garoto que adquire o vírus HIV depois de uma transfusão de sangue e, assim, passa a sofrer com a exclusão social por parte da sociedade impedindo, até, atos indissociáveis da vida infantil, como brincar com os amigos. Nesse contexto, a continuação dessa estigmatização dos soropositivos, ainda, se faz presente na sociedade brasileira. Dessa maneira, para romper com esse realidade mazelada  é imprescindível a derrubada de históricos tabus sociais e, também, de características essencialmente contemporâneas.

Em primeira análise, a sociedade brasileira tem como forma o conservadorismo de viés machista e cristão, no qual discursões sobre relações sexuais não são incentivadas. Desse modo, no livro " Bangue", do escritor paraibano José Lins do Rego, o autor retrata a trajetória de um senhor de engenho, que tem frequentes intercursos sexuais com as moradoras do latifúndio, causando um distorcido envolvimento familiar que criminalizava pelo temor de um escândalo social, ao mesmo tempo, que banalizava a ação, impedindo, assim, uma discurção franca sobre sexo, essencial para a promoção de um efetivo combate à contaminação ao vírus HIV. Então, esse ideário retrógrado, que não trata a relação sexual como natural ao ser humano, é causadora de uma estrutura social que estigmatiza pessoas, que têm suas vidas mudadas por esse ato, como aquelas que adquirem patógenos causadores de graves IST.

Além disso, o estigma por ser, também, uma falta de empatia com o outro é um fator presente no mundo atual. Segundo o pensador Zigmunt Bauman, as sociedades contemporâneas são marcadas pela efemeridade das relações  e pelo individualismo, conceito  nomeado de Modernidade Líquida, assim, possibilitando o agravamento de quadros de preconceito, inclusive contra os portadores do vírus causador da AIDS. Assim sendo, modificar essa realidade, que vai de encontro à naturaza humana de viver em comunidade, é fundamental para promover um cotidiano social harmônico  para todos os indivíduos.

Portanto, para acabar com o estigma associado ao vírus HIV no Brasil, o Estado deve promover a educação sexual da população, a partir de campnhas nas escolas, como a criação da da palestra “Sexo é natural, discutir é importante”, produzidas pelo Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação, para que, o sexo e suas consequências, como IST, sejam tratadas de forma ampla e respeitosa. Assim, os cidadãos poderão fazer parte ativamente da sociedade diferente do menino de “A cura”.