O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
No filme “Filadélfia”, durante os anos 90, o personagem principal é demitido por ser diagnosticado como portador de HIV e, a partir disso, ele processa a empresa pela discriminação sofrida. Além da ficção, é notável que no contexto atual brasileiro ainda persistem estigmas associados ao vírus HIV devido à falta de empatia ampliada pelo tabu social, como também ao preconceito alicerçado na carência de conhecimento científico.
De início, a inexistência de sensibilidade da população por indivíduos soropositivos está ligada ao tabu social que atrela o vírus HIV a grupos marginalizados, por exemplo, gays e transexuais, visto que, dados da revista Veja confirmam que, apenas em 2020, homens gays puderam doar sangue legalmente. Ou seja, a preocupação da sociedade é mais focada no preconceito infundado com essas pessoas, no que na importância da prevenção e do tratamento. Dito isso, de acordo com o sociólogo Zygmund Bauman, a modernidade trouxe relações líquidas, nas quais o ser humano não consegue ter um olhar coletivo. Sob tal óptica, é relevante perceber que se o corpo social enxergasse além dos preconceitos ele poderia acolher a comunidade soropositiva com empatia. Portanto, o apoio é importante para provar aos soropositivos que eles não devem ser sentir culpados e que o vírus não os tirará o convívio social.
Outrossim, o estigma associado ao vírus HIV surge, principalmente, da falta de entedimento científico da população, a qual coloca suas discriminações à frente da ajuda e do acolhimento que os soropositivos precisam, como o incentivo aos testes e tratamentos. Isso posto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o HIV é classificado como uma infecção crônica manuseável, assim como diabetes e hipertensão. Nessa perspectiva, tratar essa infecção negativamente em relação as outras não é plausível, visto que estão na mesma categoria e porque todos merecem respeito. Dessarte, ao trazer conhecimento científico às comunidades, elas poderão compreender como o vírus é transmitido, sua prevenção e tratamento.
Logo, medidas necessitam ser tomadas para combater o estigma associado ao vírus HIV no Brasil. Para isso, o Estado deve criar redes de apoio aos soropositivos, mediante projetos nos espaços públicos e no meio midiático que aborde palestras e campanhas com a presença de pessoas que têm o vírus e de médicos, para que a população perceba que o HIV não está sujeito a um grupo específico e que o acolhimento é importante para o paciente. Ademais, o Governo precisa levar o conhecimento científico à sociedade, por intermédio da formação educacional nas escolas, nos postos de trabalho e de saúde com a ação de especialistas no diálogo sobre a prevenção e o tratamento humanizado do vírus HIV, de forma que os brasileiros não propaguem mais discriminações, como a retratada no filme.