O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2021

Segundo o Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todos os seres humanos são iguais em dignidade e direitos. No entato, tal afirmação é negada aos portadores de HIV, que ainda tem sua dignidade ferida pelo estigma associado à sua doença. A partir disso, o silenciamento e a mentalidade social são, em grande parte, os motivos para tal problemática.

Primeiramente, percebe-se que falta de discussão acerca da doença é um problema pertinente na sociedade brasileira. Tal fato pode ser associado ao conceito de Invisibilidade Social, proposto pela filósofa francesa Simone de Beauvoir, o qual consiste no apagamento e marginalização de indivíduos considerados “inferiores”. Tal perspectiva aponta que, no Brasil, tais indivíduos são invisibilizados, o que faz com que sua enfermidade ainda seja um tabu. Dessa forma, se solidifica a falta de informação a respeito do problema, o que se torna um empecilho para o tratamento (tanto preventivo, quanto em pessoas já portadoras).

Ademais, é notório que a mentalidade arcaica e preconceituosa da população ainda é um dos motivos para a manutenção do estigma relacionado ao vírus HIV. Tal entendimento pode ser facilmente observado no filme Bohemian Rhapsody, que conta a história real do cantor Freddie Mercury, portador da doença. No filme, Freddie é julgado por, além do male, ser homossexual. Assim, é possível observar que o estigma acerca desse fato está, também, associado a homofobia. Tanto no filme, quanto na vida real, o cantor suspendeu o uso de suas medicações e morreu alguns dias depois. Infelizmente, essa pode ser a realidade de muitos portadores que se sentem envergonhados e culpados por sua doença, devido a mentalidade de outrem.

Portanto, para que o estigma relacionado ao vírus HIV na sociedade brasileira seja solucionado, é indispensável agir sobre o problema. Para isso, o Ministério da Saúde deve, em parceria com as grandes plataformas midiáticas (seja elas da internet, televisão, ou qualquer outra plataforma), conscientizar a população quanto à doença, por meio de campanhas e palestras ministradas por profissionais da saúde, informando sobre os tratamentos existentes atualmente e desmentindo informações falsas a respeito de tal enfermidade. A fim de que, assim, o assunto deixe de ser um tabu e possa ser discutido com normalidade, diminuindo o número de casos não tratados por constrangimento. Desta forma, tanto o silenciamento quanto o preconceito acerca de tal assunto poderão ser resolvidos. Por fim, o povo brasileiro estará mais próximo dos ideais impostos pela DUDH.