O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 02/10/2021
No livro “A Corrente da Vida”, escrito por Walcyr Carrasco, é retratada a luta de um jovem portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV), visto que, após seu diagnóstico, o garoto enfrentou a discriminação e as péssimas condições sanitárias para manter-se vivo. Fora da ficção, é fato que essa realidade, relacionada ao estigma associado à AIDS, infelizmente, também está presente no Brasil. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido ao preconceito proveniente da desinformação e aos tratamentos precários.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o tabu relativo aos soropositivos fomenta a segregação dessas pessoas. A esse respeito, durante a Idade Média, a sociedade feudal era permeada pela ignorância, o que propiciou a exclusão e perseguição daqueles que não compreendiam. Sob esse viés, verifica-se a permanência do pensamento medieval no Brasil contemporâneo, uma vez que a carência na disseminação de informações concretas sobre o HIV torna a doença um estigma e, por conseguinte, contribui para a invalidação dos cidadãos portadores dessa síndrome, os quais convivem com atitudes hostis e preconceituosas, como afastamento social, difamação, demissão e violência. Dessarte, fica evidente a necessidade de ampliar o conhecimento populacional, a fim de mitigar a discriminação.
Ademais, a precariedade referente aos tratamentos da imunodeficiência humana viral intensifica a estigmatização da doença. Nesse contexto, conforme o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado assegurar o bem-estar coletivo. Contudo, essa responsabilidade encontra-se negligenciada em relação à qualidade dos recursos terapêuticos destinados aos soropositivos, tendo em vista que a má administração governamental dificulta o acesso dos aidéticos a procedimentos e itens básicos de saúde, tais como remédios, consultas e exames. Sendo assim, observa-se a gestão inadvertida como fruto do diagnóstico tardio, da piora dos casos salutares e, por consequência, da elevação do tabu, já que o HIV torna-se marginalizado, conjuntamente, tanto pelo poder público quanto pela sociedade.
Portanto, medidas são necessárias para suprimir o estigma associado à AIDS no Brasil. Diante desse fito, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma reforma no currículo basilar, distribua cartilhas, elabore rodas de conversa e inclua nas disciplinas de ciências biológicas conteúdos quanto às doenças e suas profilaxias, especialmente o vírus da imunodeficiência humana. Além disso, o Ministério da Saúde deve, por intermédio de verbas governamentais, criar um programa sanitário amplo e otimizado para elevar os atendimentos, disponibilizar mais medicamentos gratuitos e contratar funcionários públicos, a fim de propiciar tratamentos de HIV abrangentes e humanizados. Dessa forma, será possível evitar os obstáculos enfrentados na obra “A Corrente da Vida".