O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, a sociedade vive em perfeita harmonia e livre de conflitos. Contudo, a comunidade brasileira atual se afasta da realidade do livro, uma vez que o estigma associado ao vírus HIV é algo conflituoso e presente. Dessa forma, esse preconceito é danoso aos cidadãos tanto por dificultar a procura pelo tratamento quanto pela falta de acolhimento dos portadores pela sociedade.

No mesmo contexto, o estigma associado ao HIV dificulta a procura pelo tratamento adequado. De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, o direito à saúde deve ser algo universal. Nesse âmbito, perpetuar o preconceito sobre os portadores do vírus, muitas vezes, intimida-os ao ponto de não se sentirem confortáveis nos ambientes hospitalares e desistirem dos cuidados necessários. Isso faz da sociedade não apenas ignorante com os soropositivos, mas também divergentes dos direitos constitucionais, ao privar esse grupo dos seus auxílios. Dessa maneira, são necessárias medidas que mudem essa condição atual para tornar o distanciamento da ajuda médica mínimo.

Ademais, a falta de acolhimento de pessoas com HIV é relacionado ao estigma sobre essa condição na sociedade do Brasil. Sob ótica teórica do filósofo Foucault, o “Habitus” é algo anterior à existência individual e, consequentemente, internalizado como verdade. Sobre esse viés, o preconceito relacionado a esses portadores existe desde que ele foi divulgado no país e não houve medidas suficientes para cessar as dúvidas dos brasileiros, o que resultou na ignorância sobre o assunto passada por gerações. Nessa perspectiva, pela falta de conhecimento, o estigma contribuiu para o afastamento dos soropositivos causado pela falta de apoio social.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de mitigar o estigma associado ao vírus HIV  no Brasil. Nesse aspecto, é dever do Ministério da Saúde exigir dos hospitais espaços direcionados à explicação sobre a temática, por meio da realização de palestras- as quais serão dirigidas por profissionais da saúde e dos Direitos Humanos nesses ambientes, que responderão as dúvidas do público. Assim, isso ocorrerá com intuito de tornar esses locais mais agradáveis para a procura de tratamento. Somado à isso, cabe ao Ministério da Educação- órgão responsável pelo conhecimento adquirido nos centros educacionais- informar os brasileiros sobre o HIV. No mesmo aspecto, isso ocorrerá de modo que seja adicionado à grade-curricular comum um maior número de horas, voltadas à infecções virais e suas consequências, da matéria biologia com a finalidade de aumentar o apoio recebido por soropositivos. Feito isso, possivelmente, a situação atual brasileira relacionada a esse aspecto será revertida.