O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 03/10/2021
Renato Russo, cantor e compositor brasileiro, foi, por bastante tempo, um dos principais representantes do Rock nacional e do grupo ‘‘Legião Urbana’’. Renato, aos 29 anos, contraiu o vírus de imunodeficiência humana (HIV), doença que provoca uma baixa nas células de defesa do organismo, em decorrência das complicações propiciadas graças ao vírus, o músico veio a falecer em 1996. Nesse sentido, hodiernamente, ainda nota-se a presença do HIV na sociedade brasileira, vírus que, além de atacar o corpo da vítima, carrega consigo estigmas sociais, os quais refletem em seus portadores a exclusão social acompanhada de preconceitos provindos da desinformação e de mitos associados à doença.
Vale ressaltar, de início, que de acordo com São Tomás de Aquino, preceptor da Escolástica, todos os indivíduos em uma sociedade democrática possuem a mesma importância. Em vista disso, a segregação aferida aos portadores do vírus do HIV se contrapõe à ideia desenvolvida por Tomás, à medida que promove a exclusão de uma parcela da população composta por um grupo minoritário, fortalecendo, de modo negativo, os estereótipos sociais e relativizando, assim, o conceito de importância do indivíduo. Logo, percebe-se ligação entre os estigmas associados aos vírus e suas consequências para com o portador.
Por conseguinte, com base na obra ‘’Totem e Tabu’’, do filósofo Sigmund Freud, Totens são temas socialmente aceitos, já o Tabus são proibições e temas socialmente negados. Desse modo, indiscutivelmente, a sexualidade e o sexo se classifica na sociedade como um ‘’Tabu’’, ao passo que, o seu debate, tanto no meio familiar como no social, é visto, por vezes, de maneira preconceituosa e negativa, dogma que gera, consequentemente, a desinformação aliada à ignorância, tal negligência informacional reflete no modo como os portadores do HIV são tratados na sociedade, os quais são julgados por mitos associados a doença, como por exemplo: a infecção através saliva, além da associação do vírus a promiscuidade e a camada homoafetiva. Diante dos fatos supracitados, é mister a necessidade de medidas para atenuar a problemática.
Portando, é indispensável que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde e as mídias digitais, promova o desenvolvimento de comerciais televisivos, compostos por médicos do Governo, que apresentem, didaticamente, sobre o vírus de imunodeficiência humana (HIV) e todas suas etapas: como se prevenir da contaminação, formas de contagio do vírus e as atitudes corretas a se tomar caso algum indivíduo suspeite ser portador, objetiva-se assim, desconstruir todos os dogmas e preconceitos construídos historicamente sobre o vírus e suas vítimas. Evoca-se, dessa modo, a letra da canção ‘‘Pais e Filhos’’ de Renato, a qual prega o amor ao próximo acima de qualquer estigma ou preconceito.