O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
Durante as décadas de 1980 e 1990, alastrou-se, no Brasil, a epidemia da Aids e do HIV, a qual caracterizou-se pela falta de informações e por ideias preconceituosas, como a alusão à sentença de morte para quem contraísse essa patologia. Atualmente, apesar dos avanços nos tratamentos e na obtenção de conhecimentos sobre essa infecção, ainda existem, infelizmente, estigmas associados ao vírus HIV na sociedade brasileira, principalmente devido a uma cultura egocêntrica e taxativa e à falta de uma educação conscientizadora.
Primeiramente, é necessário destacar que o estigma associado ao vírus HIV no país deve-se, sobretudo, a perpetuação de convicções individualistas e excludentes. Tal concepção baseia-se na teoria da filósofa Márcia Tiburi, a qual afirma que os indivíduos são movidos por uma “cegueira ideológica”, a qual nega a existência do outro e impede o diálogo e a compreensão do diferente. A partir dessa perspectiva, percebe-se como essa ideia reflete a permanência de atitudes preconceituosas contra os soropositivos, uma vez que grande parte da população, desde a década de 1980, é exposta a visões negativas sobre essas pessoas, o que promove a formação de sujeitos ignorantes e que rejeitam entender essa patologia e a realidade de quem está infectado. Desse modo, cria-se uma sociedade que além de desvalorizar e excluir esses cidadãos, nega o debate e a busca por conhecimento de qualidade.
Ademais, é válido ressaltar que a falta de uma educação conscientizadora promove a manutenção de estigmas associados ao vírus HIV no país. Tal perspectiva está relacionada à teoria do Pedagogo Paulo Freire, o qual a firma que as escolas adotam um ensino bancário, o qual aliena e acomoda os sujeitos. À vista disso, nota-se que a perpetuação dessa metodologia impede a formação de cidadãos mais críticos, já que não realiza debates que visem desmistificar ideias discriminatórias sobre essa patologia, como a valorização de aulas de educação sexual. Dessa forma, cria-se indivíduos incapazes de romper com a “cegueira ideológica”, o que além de promover ataques preconceituosos contra os soropositivos, impede que muitas pessoas aceitem o diagnóstico e procurem tratamento.
Logo, para que o estigma associado ao vírus HIV seja superado, o Estado deve combater a ignorância social, mediante a realização de campanhas educativas nas principais plataformas comunicativas, como a televisão e o Instagram, as quais desmistifiquem os preconceitos contra essa patologia e orientem a busca por tratamento, a fim de combater a “cegueira ideológica”. Ademais, as escolas precisam adotar um ensino conscientizador, por meio de aulas de educação sexual, a qual esclareça sobre as infecções sexualmente transmissíveis, como a aids, destacando a importância da prevenção e tratamento adequado, para que, assim, forme-se cidadãos mais críticos.