O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 11/10/2021
A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, determina que é inerente a todo cidadão, independente de sua condição de saúde, o direito à equidade. Externo ao âmbito teórico, no entanto, a parcela do corpo social brasileiro afetada pelo vírus HIV diversas vezes não tem garantida essa igualdade, devido a uma série de fatores, como o desacato estatal e a desinformação da sociedade.
Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma população. Todavia, no que é tangente a prover os suprimentos necessários aos brasileiros soropositivos, o Poder Público ainda é falho, visto que, devido a falta de verbas direcionadas, o atendimento médico e auxílio fornecidos são insuficientes em várias regiões do país. Nesse sentido, esse percentual da pátria, ao precisar de um teste de carga viral ou uma medicação, necessita ainda se deslocar por longos percursos para gozar de seu direito. Dessa forma, essa parcela mais necessitada sente-se abandonada pelo próprio Governo, pois tem a sensação de que a sua integridade física não é a maior prioridade nacional.
Concomitante a isso, o desconhecimento acerca do tema de parte do coletivo é um problema em evidência. Nessa lógica, a biografia “Depois Daquela Viagem”, de Valéria Polizzi, em que a autora retrata os preconceitos e dificuldades que sofreu ao ser diagnosticada com o vírus, demonstra, com clara verossimilhança, a realidade nacional. Dessa maneira, é evidente que, mesmo hodiernamente, uma fração da sociedade, devido a falta de informação acerca do tema, tenha preconceitos errôneos sobre a AIDS, e, temente a infectar-se, tende a evitar, sempre que possível, o contato com indivíduos infectados. Nessa perspectiva, essa minoria mais vulnerável acaba por se tornar uma comunidade excluída do todo, o que impede o correto esclarecimento acerca do tema de maneira universal e reforça os estigmas a eles associados, formando, assim, um ciclo.
Faz-se necessária, destarte, a reversão desse quadro crítico em que o Brasil está imerso. Sob essa óptica, cabe ao Poder Legislativo elaborar projetos que firmem parcerias público privadas em que empresas farmacêuticas forneçam medicamentos e testes relacionados ao HIV de maneira proporcional a todos os municípios, em troca de isenções fiscais. Essas normas devem, também, criar campanhas publicitárias que, quando exibidas nos canais de comunicação públicos, esclareçam as principais dúvidas acerca do tema por médicos infectologistas, ambas as ações tomadas para que o país possa se desenvolver social e politicamente e, enfim, esteja um passo mais próximo da completa igualdade.