O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Na década de 80, durante o primeiro surto de HIV no Brasil, houve uma segregação e discriminação direcionada a diversos grupos e comunidades considerados, sem nenhum embasamento científico, como principais vetores da doença. Hodiernamente, percebe-se a permanência desse preconceito para com a população soro positiva que ainda sofre uma marginalização velada. Dessa forma, é válido analisar a exclusão social desse setor, bem como a culpabilização do infectado como principais efeitos do estigma associado ao vírus.

De início, é nítido que o prejulgamento em relação à condição de soropositividade colabora com a segregação dos indivíduos na sociedade. Isso porque os conceitos e imagens pré-concebidos acerca da doença, criam uma matriz cultural e social que constrói diferenças e legitima estruturas de desigualde social. Essa problemática pode ser exemplificada segundo dados da UNAIDS, que demonstram que 81% das pessoas infectadas com o vírus ainda têm dificuldade de revelar seu estado fruto, sobretudo, do receio de sofrerem ataques e discriminações nos ambientes em que vivem.

Ademais, é notório que a atribuição da responsabilidade da contaminação à vítima, proporciona a permanência do assunto como tabu. Tal fato decorre do conservadorismo da sociedade quanto a liberdade sexual dos indivíduos, conferindo a doença um caráter punitivista, ou seja, como um castigo imposto não só a um sujeito, mas também a todo um grupo. Essa questão é exemplificada segundo dados do IBGE, que revelam que mais de 30% da população brasileira acredita que a infecção pelo HIV ocorro por merecimento e conduta do indivíduo.

É fundamental, portanto, que a sociedade atue a fim de reverter esses problemas. Assim, cabe às ONGs, como orgão de amplo alcance e promotor da isonomia social, o dever de realizar palestras e eventos, que desmistifiquem o imaginário acerca do HIV, por meio de parcerias com a iniciativa privada, com o fito de promover a inclusão dos soro positivos.