O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 03/10/2021

Cazuza, grande representante da música brasileira, foi uma das vítimas do surto de AIDS nos anos 80. Na época, a doença, erroneamente, foi estigmatizada e associada aos homossexuais. Nesse contexto, hodiernamente, a pesquisa e a ciência já elucidaram bastante informações sobre esse vírus. À sombra disso, no entanto, o preconceito acerca do assunto persiste, agravando quadros de intolerância e preconceito.

Torna-se relevante, de início, caracterizar como a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida chegou no Brasil e a relação com a população LGBTQIA+. Sob tal óptica, ressalta-se a teoria de Emile Durkheim, que nomeou de Fato Social toda e qualquer conduta, que alheia a cientificidade, espalha-se pelo corpo social e é, progressivamente, naturalizada e reproduzida. Paralelamente, atrelado ao ideário religioso, a homo afetividade era julgada e não tolerada aos moldes estabelecidos. Dessa forma, uma vez que gays do sexo masculino eram os mais atingidos pelo vírus, o senso comum apropriou-se dessa ideia para, assim, justificar um suposto castigo; espalhando o preconceito que permeia a sociedade até hoje. Decerto, a única maneira de descontruir essa realidade é por meio do acesso a informação e educação sexual de qualidade.

Outrossim, o julgamento familiar e o não apoio ao indivíduo infectado dificultam bastante a procura pelo tratamento adequado, impedindo um cotidiano saudável. Nesse viés, o medo da exposição é um fator determinante na busca por um infectologista e o início do tratamento, a situação torna-se pior em cidades interioranas, onde o risco de vazamento de informações é maior. Ressalta-se que, de acordo com a Agência Brasil, quase 50% dos soropositivos brasileiros sofreram discriminação no seio familiar. Logo, a convivência ruim experienciada em ambientes públicos estende-se para dentro do próprio lar. Com efeito, o ser humano é um animal que vive em comunidade e a rejeição traz severos riscos para a saúde mental, sobretudo, diante dos paradigmas em torno dos soropositivos.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para descontruir o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira. Para tal, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, como representantes máximos das respectivas esferas, devem criar campanha de abrangência nacional, divulgadas por meio dos principais recursos midiáticos, informando acerca dessa doença e esclarecendo os principais mitos. Poderão ser lançados em formato de série e exibido em blocos, contando com a presença de profissionais da área. Tomando-se tal medida, será mais fácil entrar nos lares brasileiros e aos poucos conscientizar sobre a AIDS e como pessoas soropositivas podem, com os tratamentos disponíveis, gozar de uma vida saudável. Cazuza orgulhar-se-ia de tal ato.