O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

No documentário “Carta Para Além dos muros”, é retratada a trajetória do vírus HIV no Brasil bem como os estigmas enfrentados por seus portadores. Dessa forma, fica evidenciado, nessa produção cinematográfica, que a desinformação foi, e segue sendo, o principal obstáculo associado ao enfrentamento desse antígeno e do preconceito. Sendo assim, para que haja a desconstrução de mitos a respeito dessa infeccção, é necessário que haja a promoção da educação sexual e do diálogo na sociedade brasileira.

Em primeiro plano, é importante que os indivíduos adquiram conhecimentos básicos à respeito das infecções sexualmente transmissíveis (IST) e dos mecanismos que possibilitam a realização do sexo seguro. Assim, eles se tornarão aptos à participação em discussões mais aprofundadas, que envolvam, por exemplo, a abordagem de preconceitos direcionados à orientação sexual de outras pessoas, tão presentes na questão histórica da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, conhecida, pejorativamente, nos anos 80, como “A peste gay”. Desse modo, profissionais como o médico sanitarista Paulo Teixeira compreenderam, pioneiramente, essa necessidade educacional e deram início a esse processo informativo, que originou os Grupos de Apoio e Prevenção a Aids (GAPA) e incentivou o surgimento de outras ações, tais quais a instituição do Dezembro Vermelho, uma campanha destinada à conscientização, prevenção e tratamentos de IST.

Além disso, o diálogo entre os cidadãos é essencial na superação de ideias pré estabelecidas socialmente a respeito do vírus HIV. Nesse sentido, figuras públicas brasileiras como o jornalista Caio Fernando Abreu e o cantor Cazuza desempenharam importante função social ao compartilharem suas vivências publicamente, pois trouxeram à tona aspectos subjetivos da convivência com o agente patológico, desmistificando essa realidade e suscitando o interesse público sobre ela. Da mesma maneira, atualmente, comunicadores digitais, como João Geraldo Netto, dono do canal “Super Indetectável”, promovem o compartilhamento de informações com o público.

Portanto, verifica-se que o rompimento com os estigmas associados ao HIV, no Brasil, é fundamental ao desenvolvimento do país. Tendo isso em vista, o Ministério da Saúde, em parceria com o Governo Federal e o Ministério da Educação, deve promover ações educativas, como palestras presenciais em colégios e centros públicos de convivência, que visem instruir a população a respeito das IST. Esses eventos deverão contar com a participação de médicos, psicólogos, biólogos e portadores do vírus, objetivando uma compreensão ampla do assunto e o estabelecimento de um diálogo diversificado, sob óticas distintas e plurais.