O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

Na série espanhola Elite, produzida e exibida pela plataforma de estreaming da Netflix, é possível obversar, em uma cena, os olhares furtivos e os comentários de rejeição que a protagonista Marina, sofre após sua turma de colégio descobrir que ela é soropositiva (portadora do vírus, mas sem a manifestação da doença), gerando, então, uma onda de desconforto e hostilidade para com a personagem. Tais críticas podem ser, facilmente, associadas ao estigma agregado ao virús do HIV (enfermidade da imunodeficiência humana) na sociedade brasileira contemporânea. Dessarte, vale-se pontuar aspectos como a segregação social, e, sobretudo, as consequências geradas a partir desse processo discriminativo.

A priori, torna-se indubitável perceber que a segregação social classifica-se, claramente, como um dos principais estigmas associados ao vírus do HIV dentro da sociedade verde e amarela. De acordo com o físico alemão Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, ou seja, a discriminação para com as pessoas portadoras da enfermidade, na contemporaneidade, infelizmente, tornou-se algo sólido e, indubitavelmente, prejudicial aos acometidos. Parte da intolerância vem do pressuposto da ignorância de que a doença da AIDS não tem cura, embora, ela já possua tratamentos que são capazes de controlá-la e fazer com que seus portadores vivam sem grandes empasses para estarem bem e saudáveis.

Ainda convém abordar as consequências derivadas dessa problemática segregativa. Segundo a terceira lei do físico Isaac Newton, para toda ação há uma reação, isto é, as mazelas secretadas a partir do preconceito é um processo que classifica-se, infelizmente, como natural, do ponto científico. Para as pessoas enfermas conviver com a hostilidade é pior do que viver com a doença, e, por vezes, esse empecilho é manifestado na disistência do paciente em seguir com seu tratamento, o que, lamentavelmente, pode culminar, em último caso, na morte do infectado, e consequentemente, gerar um ambiente mais caótico e dotado de maiores adversidades.

Em virtude dos fatos mencionados, torna-se lúcido perceber que medidas fazem-se necessárias. Portanto, é preciso desconstruir para, então, construir. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, concomitante ao Ministério da Educação elaborar campanhas disseminadoras de conhecimento, que abordem métodos preventivos, e, sobretudo, informações que tratem das formas de como viver com a doença, através de palestras ministradas nas instituições educacionais, a fim de atingir todo corpo social, e, então, desfazer os estigmas associados ao vírus do HIV, evitando, assim, maiores adversidades para os seus enfermos, para, finalmente, haver a construção de um país livre da discriminação intolerante.