O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Na obra cinematográfica “Bohemian Rhapsody”, indicada ao Oscar de melhor filme, retrata-se a vida de Freddie Mercury, vocalista da banda Queen, falecido na década de 90 devido ao desenvolvimento da aids.O filme serve, em grande parte, como uma reflexão a cerca do que significava à epóca o dignóstico como soropositivo para o HIV. Entretanto, mesmo 3 décadas após o falecimento do cantor, no Brasil, esse estigma aos portadores do vírus parece inalterado. Isso se deve não só à desinformação, mas também ao preconceito moral sofrido por portadores.

Primordialmente, é válido ressaltar o impacto da desinformação na persistência do estigma associado ao HIV. Segundo o afirmado pela socióloga Daniela Riva, em entrevista concedida à “Fiocruz”, o principal fator da transmissão contínua do vírus no Brasil é o pouco conhecimento, visto que, com os avanços da medicina, o tratamento pode conter não apenas o desenvolvimento da aids , mas até mesmo a sua transmissibilidade por via sexual. A partir desse embasamento, pode-se inferir que a desinformação ao referido tema impossibilita sua eventual erradicação, no país que gera 40 mil novos soropositivos anualmente. Em decorrência disso, essa ignorância a respeito do HIV ocasiona a persistência tanto do estigma associado ao vírus, quanto da sua transmissão na sociedade brasileira.

Concomitantemente, é imprescindível se destacar o preconceito moral como fator crucial na construção e manutenção desse estigma. É fato que, em virtude do HIV ser uma doença sexualmente transmissível, há uma culpabilização do infectado, ademais, por ser preponderantemente relacionada a grupos minoritários, como a comunidade LGBT, usuários de ilícitos injetáveis ​​e profissionais do sexo, houve com aids, uma marginalização ainda maior em relação a outras doenças. Dados, divulgados pelo site “Agência Brasil”, exemplificam essa condição vivenciada por soropositivos no país, segundo a pesquisa, 46% dos portadores sofreram comentários descriminatórios por sua condição, não obstante, 20% desses já foram demitidos devido à imagem associada ao HIV. Esse preconceito, pautado pela falta de empatia, impede a superação desse estigma no Brasil.

Portanto,esperam-se ações do Estado. Cabe ao Poder Público implementar, por meio de cursos especializantes, o sistema freiriano de ensino, no qual visa instituir uma educação capaz de gerar discentes adoecidos e, por consequência, mais empáticos, combatendo assim o preconceito moral enfrentado pelos soropositivos. Deve também, em parcerias com ONG’s, incentivar a propagação da informação sobre o HIV, através de palestras e debates em escolas, um fim de conscientizar sobre a prevenção, tratamento e aceitação, sanando, desse modo, a desinformação.