O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
Segundo o filósofo Imanuel Kant, as ações consideradas éticas são avaliadas pelo caráter categórico e devem ser pautadas com o ideal de empatia universal. Contudo, a sociedade brasileira falha ao estigmatizar as pessoas soro positivas e ao tratar elas como merecedoras de sofrimento. Isso ocorre devido à falta de informação acerca do assunto e à sociedade excludente.
Primeiramente, a carência de debates com o tema “HIV e Aids” nas escolas e ambientes de trabalho corrobora à desinformação e consequentemente ao aumento do preconceito associado a esse tipo de patologia. Desse modo, é relevante relembrar as palavras do cientista Albert Einstein, o qual disse: “Desintegrar um átomo é mais fácil do que acabar com o preconceito.” Dessarte, fica evidente as dificuldades que um indivíduo soro positivo tem para se relacionar com pessoas, por medo da rejeição e de ser rotulado, erroneamente, como merecedor, o que colabora com o isolamento e social e a insuficiência de diagnósticos precoces e a busca por tratamento. Uma vez que atualmente, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram diagnosticadas e apenas 77% fazem tratamento com antirretroviral, consoante pesquisa do Ministério da Saúde.
Outrossim, de acordo com a Constituição de 1988: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, quando se analisa a inclusão de pessoas soro positivas no corpo social percebe-se o descumprimento de tal lei. Dessa forma, é válido ressaltar a obra “Modernidade Líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, na qual disserta acerca da liquefação das relações e o aumento do individualismo, o que contribui com o crescimento da exclusão de indivíduos fora do padrão social. Por conseguinte, conforme programa das Nações Unidas, 64,1% das pessoas que têm HIV/aids sofreram alguma forma de discriminação, 46,3% ouviram comentários negativos no ambiente social, quase 20% perderam emprego ou fonte de renda. Tal preconceito, infelizmente, impede a procura por direitos.
Portanto, é notável a importância do combate aos estigmas associados a pessoas soro positivas. Logo, é imprescindível o comprometimento do Ministério da Saúde. Então, deve criar um estado de bem-estar social, por meio da responsabilização do Governo, para garantir o direito a obtenção de tratamento com antirretroviral e acesso a consultas com psicólogos mensalmente no Sistema Único de Saúde, com a finalidade de promover a saúde física e mental aos portadores de HIV. Aliado a isso, o Ministério da Educação, tem o dever de promover campanhas de conscientização nas escolas, mídia e ambientes de trabalho, por intermédio de palestras educativas com especialista da área e voluntários soro positivos, com a finalidade de erradicar os estigmas associados a essa patologia, incentivar a busca por diagnóstico e tratamento, e assim, atingir a empatia universal.