O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
De acordo com o Ministério da Saúde, após quase meio século do primeiro diagnóstico de HIV no Brasil, a expectativa de vida de alguém infectado é quase equânime à da população que não têm o vírus, além do tratamento ser oferecido de forma integral e gratuita pelo SUS. No entanto, o que continua ao longo dos anos e é extremamente prejudicial no combate e possível tratamento é o estigma associado ao vírus. Por isso, é fundamental analisar os fatores culturais e históricos que levam a permanência do preconceito e discutir medidas para seu combate.
Em primeiro lugar, é primordial entender que a desinformação e a falta de interesse em assuntos acerca do HIV são as principais causas culturais para a perpetuação do estigma associado ao vírus. Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 89% das pessoas soropositivas têm receio de contar aos seus colegas de trabalho sobre seu diagnóstico, por medo de sofrer ou por já terem sofrido preconceito por causa disso. Nesse sentindo, fica evidente que falta esclarecimento para boa parte da população – já que tantas pessoas têm medo de contar-, pois não há justificativa para discriminar alguém com HIV, visto que, hoje, uma pessoa com o vírus pode viver normalmente e não deve ser privada do seu direito de viver em sociedade.
Além disso, o estigma associado ao vírus HIV encontra fundamento em raízes históricas, como a herança de discriminação contra pessoas LGBTQIA+, grupo o qual detém o maior número de infectados. Exemplo disso foi retratado pelo jornal Folha de São Paulo, o qual publicou uma matéria acerca da fala de uma parlamentar, na qual ela associa o aumento pessoas com HIV e AIDS à pauta de reivindicações do movimento LGBT no país. Contudo, as pessoas dessa minoria social são as mais afetadas por serem socialmente discriminadas e terem seus direitos fundamentais como acesso a educação e saúde cerceados, o que pode gerar o aumento de infecções, e não por serem gays ou transexuais, por exemplo.
Portanto, o Ministério da Saúde deve promover a inclusão e o combate ao preconceito aos soropositivos na sociedade. Tal ação se dará por meio de campanhas que esclarecerão os principais tabus acerca do vírus e incentivarão o acolhimento de pessoas com HIV nos ambientes de trabalho, por exemplo. Por outro lado, o Ministério da Educação deve estabelecer o trabalho transdisciplinar acerca do vírus HIV e da AIDS na Base Nacional Comum Curricular, para que, desde cedo e respeitando cada faixa etária, sejam trabalhados temas como prevenção, tratamento e inclusão de portadores de HIV. Dessa forma, o estigma associado ao vírus será combatido de forma eficiente no país, garantindo integração social às pessoas com HIV.