O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Na obra “Promíscuo” do escritor, poeta e professor Fernando Impagliazzo, é retratada como forma de reflexão a luta contra o preconceito aos portadores do vírus da imunodeficiência humana. Em resumo, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi descoberta na década de 1980, e, de acordo com a ONU, há mais de 36,9 milhões de pessoas que convivem com HIV/AIDS no mundo. Logo, a descriminação e o estigma provoca a dificuldade na inserção dos soropositivos na sociedade e consequentemente no mercado de trabalho e nos obstáculos ao enfrentamento a epidemia do HIV.

Embora o vírus HIV tenha sido descoberto há mais de 4 décadas, e mesmo com avanços biomédicos e tecnológicos, a doença e a sorologia é vista de forma hostil e intolerante pela sociedade. Conforme pesquisa executada pela Universidade de Guarulhos e publicada pela Revista Saúde, foi concluído que as principais dificuldades socioculturais enfrentadas pelos portadores de HIV/AIDS são o preconceito (20,2%), medo (17,7%), descriminação (16,5%), isolamento social (16,5%), estigma (15%), culpa (6,5%), e exclusão social (7,5%). Não só as dificuldades socioculturais mas também a aversão aos soropositivos na introdução ao mercado de trabalho. Em entrevista feita pela Revista Brasil ao advogado Camilo Caldas, que alegou “Sem dúvida nenhuma, as pessoas soropositivas estão estigmatizadas pela sociedade e no mercado de trabalho. Infelizmente, ainda no século 20, as pessoas associam a doença a uma certa conduta moral do indivíduo. Isso é algo muito nefasto e é um preconceito que acaba sendo difundido por algumas pessoas”.

Ademais, além do descrédito relacionado aos soropositivos, há a dificuldade no tratamento desta epidemia como consequência, mesmo não havendo cura. Segundo a coleta de dados realizada pela Unaids, foi levantado que cerca de 15,3% dos participantes já sofreram algum tipo de descriminação incluindo por parte de profissionais de saúde. Consoante Silva Aloia, membro do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, de Porto Alegre, “Isso tudo é muito relacionado ao estigma. A discriminação que gera um não acesso aos serviços de saúde”. Com a finalidade de prestar ações assistencialistas, o GIV (Grupo de Incentivo à Vida) promove a luta pelos direitos dos soropositivos e das populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV/AIDS.

Assim, as dificuldades vivenciadas pelos portadores do vírus HIV estão além da doença, trata-se de aspectos íntimos, ligados diretamente ao preconceito. A fito de melhorar a qualidade de vida dos soropositivos, deve ser feito, através do Poder Legislativo e ONG’s para o desenvolvimento de planos de ação contra a discriminação do vírus HIV além da implementação de leis como a Lei 12.984/2014, através dos meios de comunicação para garantir a desmistificação da doença e inclusão da sorologia.