O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

Na autobiografia “Depois Daquela Viagem” a autora Valéria Polizzi, através de um diário de bordo, relata experiências pessoais como uma paciente soropositiva na década de 80, trazendo discussões tidas como tabu e, dessa forma, carregados de preconceito. Nos dias atuais, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira ainda é muito forte e tem como causa a falta de educação sexual e os tabus relacionados a tal patologia.

É preciso pontuar de início que, em decorrência do tabu que envolve o tema, a falta de educação sexual no Brasil é responsável por perpetuar os estigmas relacionados à doenças sexualmente transmíssiveis. Por conseguinte, as pessoas acometidas por tais enfermidades, em cheque o HIV, sofrem preconceito e muitas vezes ainda são culpabilizadas por terem se infectado - muitas são taxadas de promíscuas - tornando-se ainda mais excluídas, uma vez que, as pessoas mais vulneráveis para infecção são pessoas historicamente marginalizadas: pessoas lgbtqia+, profissionais do sexo, pessoas privadas de liberdade e pessoas em drogadição. Dessa forma, embora seja uma doença crônica manuseável - doenças que não tem cura, mas podem ser controladas - os pacientes, ao serem estigmatizados, passam por sofrimento psiquíco, podendo comprometer assim o tratamento.

Ademais, as pessoas com HIV também sofrem com o preconceito dos próprios funcionários de saúde, que, também acometidos por diversos tabus, não fazem o acolhimento adequado de tais pacientes. Essa situação contraria a lógica da medicina humanizada - busca enxergar o paciente em sua totalidade e acolhê-lo da forma mais abrangente possível - e é responsável por ocasionar uma adesão insatisfatória e até mesmo a desistência do tratamento da doença. Em consequência, por se tratar de uma doença que ataca o sistema imunológico, as pessoas soropositivas, ficam suscetíveis a outras doenças e muitas vezes vão a óbito.

Observa-se, portanto, a necessidade de quebrar tabus relacionados a pessoas portadoras do vírus HIV e acolhê-las da melhor maneira possível. Para tal, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação deverá promover cursos qualificatórios para profissionais de saúde, a fim de informar tais trabalhadores e estabelecer um atendimento minimamente padrão direcionados a indivíduos soropositivos. Esse curso deverá constar como pré requisito obrigatório para quem esteja na linha de frente desse atendimento. Além disso, materiais em formato impresso e digital deverão ser disponibilizados para o sistema de saúde e introduzidos nas escolas, a fim de informar toda a população sobre a doença e as consequências dos preconceitos destinados aos soropositivos.