O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
Na década de 1980, o Brasil passava por um forte epidemia de HIV que eclodiu em diversos países do mundo. Na época, pouco se falava e se tinha informação sobre essa infecção. Até que no fim da década, o cantor Cazuza - ícone do Rock brasileiro- assumiu, abertamente, que era soropositivo para o HIV, tornando-se um símbolo da luta contra esse inimigo. Na atualidade, mesmo após 40 anos do início da epidemia, muitos brasileiros ainda enfrentam estigmas por possuírem esse vírus. Essa sitação se apresenta pela falta de consciência da população, além da ausência de ações governamentais que auxiliem a parcela da população infectada.
Em primeira análise, a falta de consciência populacional é um dos fatores que implica no estigma associado ao vírus HIV. De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, a educação é o principal meio de conscientização social. Nesse sentido, a ausência de um conhecimento sobre a infecção do HIV e sua transmissão ocasionam preconceitos e tabus que distanciam as pessoas infectadas, visto que essas são tratadas com indiferença daqueles que não possuem a infecção e desconhecem a forma de propagação. Essa problemática reflete, diretamente, no bem-estar da parcela da população soropositiva, que acaba por desenvolver distúrbios ligados à baixa autoestima e interação social, isolando-se.
Em segunda análise, a ausência de ações governamentais é outro fator que influencia os estigmas sob o grupo portador de HIV. Segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão possui o direito à saúde. Por outro lado, o aumento da parcela de cidadãos com HIV - 21%, nos últimos 10 anos, de acordo com o Ministério da Saúde - mostra que o Estado não está cumprindo com seu papel em garantir o direito presente na Carta Magna, visto que houve, em 2020, precarização no Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), suspensão de kits de prevenção e cortes de canais de comunicação dedicados à divulgação do tema. Essa situação acarreta o aumento de pessoas infectadas com HIV, além de contribuir com a falta de informação social.
Logo, torna-se necessária a participação do poder público para reverter o estigma associado ao vírus HIV no Brasil. Inicialmente, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve realizar a conscientização populacional acerca do HIV, a partir de palestras em centros educacionais, ministradas por profissionais da saúde que esclareçam as formas de transmissão e contágio do HIV, para toda a população, além de investir em propagandas nas mídias digitais que abordem esse tema, com o intuito de acabar com o preconceito sob a população soropositiva, assim como proporcionar uma melhor qualidade de vida e bem-estar a esse grupo.