O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
Há 31 anos, o Brasil dava adeus ao ícone da música Cazuza, que morreu por problemas decorrentes de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Apesar da fama, o cantor sofreu com o preconceito da época, já que a infecção era novidade. Passando-se 3 décadas, novas informações surgiram, entretanto o estigma continua presente na sociedade brasileira, devido à carga histórica e a falta de comunicação entre as comunidades.
A priori, em 1982, quando o primeiro caso de morte por HIV surgiu, a infecção foi classificada como a doença dos 5Hs (Homossexuais, Hemofílicos, Haitianos, Heroinômanos, “Hookers”). Contudo, com novas pesquisas, esse termo discriminatório foi abolido pela comunidade científica, já que essa problemática não se limita ou define esses grupos. Apesar disso, essa carga histórica gerou um estigma difícil de desmistificar, principalmente no ambiente brasileiro. Com isso, aqueles que vivem com a infecção, os soropositivos, são taxados e excluídos, além de perseguidos e violentados, especialmente se pertencerem à comunidade LGBTQI+.
Além desse aspecto, outro fator para a permanência da estigmatização do HIV é a falta de debate entre a população, tanto sobre o vírus quanto sobre relações sexuais. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2020, o maior número de infecções está entre jovens de 20 a 24 anos, que concentram 27,6% dos casos. Nesse viés, essa predominância é ocasionada pelo desconhecimento dos mais novos sobre o real perigo da doença, gerando assim descuidos na hora do sexo e ausencia de medo do contagio. Desse modo, sem informação os soropositivos crescem em números e associado a esse crescimento também se elevam o preconceito e a exclusão.
Em suma, o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira é preservado pela carga histórica e pela falta de diálogo. Desse modo, é dever do Ministério da Educação quebrar os fatores históricos que impulsionaram a descriminação, por meio da implementação de aulas básicas sobre saúde e prevenção em sua grade curricular, além de um enfoque maior sobre esse vírus nas aulas de biologia, objetivando que desde cedo os jovens entendam os aspectos envolvidos, assim os soropositivos seriam entendidos e acolhidos. Ademais, é necessário que o Ministério da Saúde estimule conversas sobre o tema, por meio de palestras, cursos gratuitos e debates nos municípios, objetivando a quebra do tabu que envolve o assunto, assim o número de casos diminuiria junto com o preconceito.