O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Quando ainda vivo Albert Einstein falou “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Infelizmente a frase dita pelo cientista, já há décadas falecido, ainda é bastante atual, demonstrando como a sociedade insiste em ter ideias pré criadas sobre temas sem profundidade científica nas conclusões. Desta maneira, cumpre observar que este estigma social também existe com relação ao vírus do HIV e seus portadores, prejudicando a relação destes com a sociedade, assim, grandes riscos são verificados como o medo de profissionais da saúde lidarem com estes pacientes soropositivos, e o efeito da baixa adessão destas pessoas aos tratamentos contra o vírus por se sentirem pouco acolhidas pelo núcleo da saúde.

Inicialmente, deve ser observado que o artigo 5º da Constituição Brasileira garante o direito a saúde para todos, fato que é consumado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS por sua vez, face as politicas públicas brasileiras, é o único responsável pelo tratamento do vírus de HIV, que gera a doença denominada AIDS, que é um tipo de imunodeficiência. Portando, os profissionais de saúde que fazem parte do SUS são a primeira linha de apoio aos portadores dessa doença, logo, se espera destes trabalhadores uma posição de informação e ensino sobre a saúde. Deste modo, qualquer situação de exposição de ideias estigmatizadas, seja por fala ou gestos, podem gerar uma “nuvem” de informações falsas prejudicais a convivência social, gerando a marginalização do grupo portador do HIV.

Neste sentido, o preconceito na área da saúde gera o afastamento dos necessitados de tratamento dos caminhos para o controle da doença. Como resultado, a doença que é controlável segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), encontra-se em estado de epidemia pela falta de comunicação entre, por exemplo, médico e paciênte, que pode sentir falta de acolhimento ao ser recebido com preconceitos durante a realização de consultas, reduzindo a abertura para perguntas importantes do enfermo, não lhe explicando correntamente quanto a necessidade de continuidade do tratamento da doença durante toda a vida e como poder realizar o sexo seguro mesmo infectado.

Portando, não devem mais ser aceitas pela população brasileira ideias pré concebidas estigmatizando o HIV. Desta forma, para resolver ambas as situações, deve o Ministério da Saúde por meio do SUS realizar mensalmente junto com infectologistas e psicologos treinamentos dentro de clinicas e hospitais de como os profissionais de saúde devem se comportar junto aos portadores do HIV, criando um roteiro de atendimento e eximindo quaisquer dúvidas que possam existir, para que como efeito aumente a sensação de acolhimento dos paciêntes e reduza a evasão do tratamento, gerando o controle da epidemia, aumento da qualidade de vida e cumprimento da Constituição Federal.