O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, Brasil é sinônimo de progresso, o que projeta uma visão de um tempo de ouro. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista os estigmas fomentados por preconceito e ignorância em relação aos soropositivos — um realce da falta de conhecimento em plena era da informação. Assim, é possível afirmar que não somente a escassez de qualidade educacional no país, mas também a empatia como sentimento em falta na sociedade brasileira fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que não é incomum o Brasil ser retratado como uma instituição que deixa a desejar no setor educacional. Por exemplo, não só o resultado insatisfatório na prova do PISA, como também o direcionamento de verba três vezes maior para o ensino superior realçam a falha na estrutura básica da educação, o que se reflete em intolerância, estereótipos mal fundamentados e violência populacional. A priori, é evidente que julgamentos prévios com relação a portadores do vírus da AIDS é um problema de instrução biológica — afinal, qualquer um que tenha um básico conteúdo acerca da síndrome da imunodeficiência adquirada já sabe que ela é controlada, e não motivo de segregação pessoal.
Ademais, outro tópico importante a se dizer tange à questão de se colocar no lugar do próximo. Atualmente, vive-se tempos de cancelamento nas redes sociais, de linchamentos virtuais, ondas de xenofobismo crescente nas notícias de jornais — todos esses fatores alarmam para o julgamento alheio, em vez de entender e consentir com a dor do próximo. A partir desse aspecto, se uma grande parte da nação desconhece o léxico da compaixão, tampouco é de se esperar que também o tenha para com portadores de doenças adquiradas como a qual em questão.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não apenas da informação biológica correta acerca da AIDS, como formas de contágio e ciclo de reprodução do vírus, mas também da necessidade da empatia para o desenvolvimento do sentimento humano, o qual está em decadência. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa no padrão de tratamento em relação ao respectivo vírus e, principalmente, para com os portadores de tal.