O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

No livro “Tipo uma história de amor”, de Abdi Nazemian, Art é um adolescente de Nova Iorque que, no final da década de 80, luta pelos direitos de tratamento contra o vírus HIV, que na época em que o diagnóstico era, na realidade, de uma morte próxima. Na época, não era reconhecido a necessidade da discussão e o preconceito era presente nos cotidianos. Fora dos limites literários, até hoje, pessoas com HIV sofrem com os estigmas associados ao vírus que, no contexto do Brasil, estão relacionados a visão sobre o público propenso a adquirili-lo e a limitação acerca da vida dos soropositivos.

Diante dessa questão, a visão da maioria da população tem acerca das pessoas portadoras do vírus é deturpada. Grande parte associa imediatamente como a “doença dos gays”, termo usado de forma pejorativa na obra de Abdi, mas que também é utilizado no cotidiano brasileiro, relacionando o vírus erroneamente com pessoas que vivem relacionamentos homoafetivos. Evidência disso é que, até o ano de 2020, pessoas homossexuais eram proibidas de doar sangue segundo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por serem considerados prováveis vetores de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s). Por mais que, por lei, essa regra tenha sido extinta, uma parcela considerável da sociedade ainda carrega esse pensamento.

Ademais, outro estigma relacionado ao HIV é que seus portadores não poderão mais ter relações sexuais ou que possuem uma vida muito limitada por conta do vírus. Porém, com os avanços da medicina, sabe-se que podem seguir vivendo normalmente, se tomados os devidos cuidados para que não avance para a Aids. Dessa maneira, a visão acerca da doença é prejudicial e muitas vezes, impedem que pessoas soropositivas se relacionem, pois são excluídas socialmente. Segundo uma pesquisa do Agência Brasil acerca do preconceito vivenciado por pessoas com HIV, 17% dos entrevistados foram excluídos de atividades familiares e mais 17% de atividades. Isso ocorre pela falta de conhecimento da grande parte da população, que, por não entender sobre a condição, discrimina o grupo.

Dessa maneira, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação promova mecanismos para que o conhecimento acerca do vírus HIV chegue para a maior parcela da população. Tal iniciativa ocorrerá através da implantação de um Projeto Nacional na rede de ensino, o qual promoverá o foco em educação sexual e a conscientização acerca das IST’s. Isso será feito, a fim de que a discriminação contra os soropositivos seja interrompido e ocorra a quebra do pensamentos discriminatórios que cercam grande parte do povo brasileiro. Dessa forma, o Brasil poderá seguir por um futuro livre dos estigmas que são tão prejudiciais.