O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
“Peste gay” era o nome popularmente dado à AIDS - doença sexualmente transmitível causada pelo vírus HIV - nos anos 80, quando esta foi identificada pela primeira vez. Tal nominação era comum pela prevalência da doença em homossexuais, apesar desta não ter relação direta com a orientação sexual das pessoas. A partir disso, surge na sociedade o estigma associado à AIDS que, hodiernamente, se torna maior pela falta de informação disseminada sobre a doença, seja pela precária educação sexual nas escolas, seja pelo descaso da mídia brasileira acerca desse assunto.
Primeiramente, vale ressaltar que, por ser um assunto considerado como tabu, muitos adolescentes, ao iniciarem suas vidas sexuais, não recebem as devidas instruções sobre os cuidados a serem tomados, além de terem receio em perguntar sobre. Sob essa ótica, na série Elite, a personagem adolescente Marina era soropositiva e, apesar de ter o apoio dos pais ao cuidar da doença, sentia-se constrangida na escola onde, caso ela falasse sobre seu diagnóstico, seria alvo de brincadeiras e piadas. O ocorrido com a personagem pode ser presenciado na sociedade brasileira visto que nas escolas não há educação sexual, ensino que ajudaria os jovens a entenderem as causas e as consequências da doença, como prevení-la e que não há motivo de preconceitos. Dessa forma, a falta de educação sexual nas escolas contribui para a persistência do estigma associado ao vírus HIV.
Ademais, o descaso da mídia acerca da AIDS fomenta o preconceito que toda a sociedade, independentemente de idade, tem sobre a doença. Nesse sentido, percebe-se que, mesmo com a tecnologia atual e as inúmeras formas de disseminação de informações através de redes sociais, poucos órgãos influenciadores, como jornais, celebridades e multinacionais não se posicionam a fim de ajudar a espalhar conhecimento sobre a enfermidade. Consequentemente, torna-se difícil conscientizar toda a população brasileira que a pessoa que porta o vírus HIV não é indigna. Desse modo, a péssima divulgação agrava a intolerância sobre a AIDS, porque parte da população não recebe informações que a ajudariam formar um pensamento mais coerente e de aceitação.
Portanto, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação aplique na grade escolar a educação sexual, por meio de palestras e aulas, para que as crianças e os adolescentes aprendam sobre os cuidados necessários e, em consequência, o assunto deixe de ser um tabu. Paralelamente, a mídia influenciadora, como jornais, celebridades e empresas, divulguem informações verdadeiras sobre a AIDS, por meio de redes sociais e seus respectivos meios de comunicação com o público, com o intuito de conscientizar a população brasileira sobre o assunto. Assim, a partir da vasta informação disponível, as pessoas passem a respeitar os soropositivos e, ainda, ajudá-los na luta contra a doença.