O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 05/10/2021
Freddie Mercury, cantor e compositor da banda Queen, morreu aos 45 anos após ter contraido AIDS. Embora os portadores do HIV, por conta dos avanços da biomedicina, não precisem se preocupar com a morte, a estigmatização dos mesmos ainda é muito preocupante na sociedade brasileira. Sob essa ótica, é plausível afirmar que esse estigma associado ao vírus do HIV ocorre devido à falta de informação e tem impactado negativamente a vida dos seus portadores.
De início, é válido ressaltar que a falta de conhecimento fortaleceu esse preconceito ligado ao vírus do HIV. Nesse sentido, nem todo indivíduo que possui HIV, possui AIDS, uma vez que, quando está medicado adequadamente, não manifesta o vírus e, portanto, não apresenta sintomas e nem mesmo transmite a doença. Apesar disso, essa informação não está ao alcance de todos, pois, além da fragilidade da educação no Brasil, o conservadorismo -o qual domina as ferramentas políticas- impede que qualquer informação relacionada a ‘‘assuntos sexuais’’ sejam compartilhadas com frequência não só na escola, como também nos grandes veículos de comunicação. Dessa forma, grande parte da população acredita que os portadores de HIV são transmissores ativos, viabilizando o preconceito.
Por consequência, é importante destacar que os soropositivos -pessoas com HIV, mas não necessariamente com AIDS- apresentam dificuldades para se relacionar. Nesse contexto, uma ativista da luta contra o estigma associado ao vírus do HIV relata, no podcast ‘‘Isso é Fantástico’’, que seus parceiros acabam cortando o contato depois de tomarem conhecimento sobre o fato dela ser portadora do HIV. Isto é, mesmo sem trasmitir a doença, os soropositivos possuem dificuldade para formar uma família ou para simplesmente ter relações sexuais casuais, podendo proporcionar inúmeros problemas psicológicos.
Portanto, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Assim, para que a estigmatização dos soropositvos possa ser minimizada, é fundamental que o Ministério da Educação -com apoio das Secretárias Estaduais- insira, por meio da reestruturação do calendário escolar nacional, uma aula semestral sobre o HIV no ensino médio de todas as escolas do país; essas aulas serão ministradas por professores de sociologia e biologia que não só abordarão mecanismos de como se preservar contra o HIV, mas também farão a diferenciação entre pessoas com HIV de pessoas portadoras de AIDS.