O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

“Hoje a tristeza não é passageira. Hoje fiquei com febre a tarde inteira.” Nesse trecho da música “A Via Láctea”, o cantor brasileiro Renato Russo expõe sua angústia ao contrair o HIV, Vírus da Imunodeficiência Humana, no auge de sua epidemia. Nos anos 80 e 90 contrair a doença era como uma sentença de morte. Hodiernamente, ainda pode observar-se grande desinformação quanto às implicações do agente infeccioso e também discriminação quanto à população soropositiva.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a diferença entre o HIV e a AIDS, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, para desmistificar o estigma associado à essas patologias. Quando o tratamento ao vírus é feito o paciente pode viver sem nenhuma implicação e sem transmitir o agente para outras pessoas. Entretanto, os tratamentos e formas de contágio da doença passam longe do senso popular, em que, acreditam inclusive que podem contrair o patógeno pelo compartilhamento de talheres, lençois, ar. Nessa perspectiva, é notório o pensamento do educador Paulo Freire, no qual, sem educação a sociedade não muda. O que torna necessário o conhecimento quanto à essa moléstia tão censurada.

Por conseguinte, desde o surgimento do HIV ocorre um senso-comum, em que acredita-se que é uma doença tão somente de homossexuais, o que implica em uma discriminação da enfermidade e dos seus enfermos. Diante disso, vale ressaltar a teoria da filósofa Hannah Arendt, na qual, existe uma banalização do mal na sociedade, ou seja, é natural e inconsciente praticar injustiças. Com isso, por ser uma disfunção tida como original desse grupo que já sofre preconceitos, a discussão acaba sendo negligenciada.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas a fim de erradicar o estigma ao HIV. Cabe ao Ministério da Saúde promover um mês de conscientização, por meio dos postos de saúde, com palestras de médicos especializados a fim de desmistificar os parâmetros da Imunodeficiência para a população.