O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
O canal do youtube “Ter.a.pia” exibe diferentes realidades sociais que não são exibidas pela mídia. Nessa perspectiva, uma das entrevistas desse canal aborda a realidade de uma mulher soro positivo, os estigmas vivenciados por ela e a consequente exclusão que ela vivencia. Nesse sentido, o preconceito associado ao vírus HIV ainda é comum devido à falta de visibilidade da realidade patológica da doença e ineficácia estatal em promover equidade aos portadores de HIV perante a sociedade.
Em primeira análise, a falta de visibilidade da realidade patológica do vírus HIV é uma das causas da perpetuação dos estigmas associados à ele. Isso ocorre, porque é pouco ensinado aos cidadãos o básico de saúde coletiva, ou seja, principais vírus que acometem as sociedades atuais, profilaxia deles e modo de transmissão. Nesse sentido, por falta de comunicação sobre a realidade sanitária do país por parte do Estado, principal responsável em garantir a saúde da população, para com os cidadãos, os estigmas relacionados aos portadores de HIV são perpetuados. Nesse viés, o sociólogo alemão Habermas aponta a linguagem como principal meio de ação no combate a uma problemática, isto é, para que os estigmas pertinentes ao vírus HVI sejam combatidos, é necessário tornar a patologia conhecida em todas as suas nuances e os preconceitos oriundo dela posteriormente debatidos, na intenção de minimizar a exclusão ocasionada aos indivíduos soro positivo.
Noutro parâmetro, a ineficácia estatal em promover equidade dos portadores de HIV perante a sociedade é outro fator de atenuação dos estigmas relacionados a eles. Isso se desenvolve em função do descumprimento da Constituição de 1988, que afirma, no artigo sexto, como direito inerente a todos os cidadãos a saúde e o trabalho. Nesse segmento, os cidadãos soro positivo não são completamente assistidos pelo Estado nesses direitos, ou seja, o acesso à saúde é precário e sem garantia de qualidade, e o trabalho não é assegurado, dado que a desinformação de boa parte das empresas acarreta ou na demissão dos funcionários soro positivo ou na não contratação. Posto isso, tanto o agravamento e propagação da doença, quanto a falta de inserção e seguridade dos pacientes no mercado de trabalho fomentam os estigmas enraizados na sociedade.
Portanto, os estigmas associados ao vírus HIV são perpetuados em razão do silenciamento sobre a realidade patológica dele e ineficácia estatal em promover equidade aos portadores perante a sociedade. Assim, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Cidadania, responsável por promover ações sociais aos mais vulneráveis, dispor acompanhamento socioeconômico dos acometidos por HIV. Desse modo, essa ação deve ocorrer trimestralmente por um agente de saúde e um agente social na casa dos pacientes, a fim de que os direitos civis dos enfermos sejam assegurados.