O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

A série “Boca a Boca” retrata como pessoas são estigmatizadas por serem contaminadas por um vírus desconhecido e o pânico social causado em razão disso. Sobre isso, pode-se fazer uma analogia com a questão do HIV na época de seu surgimento. Todavia, nota-se que ainda persiste um estigma associado aos que têm essa condição na sociedade brasileira. Essa problemática tem algumas causas, a citar: a grande homofobia existente no Brasil e o moralismo quanto a questões relacionadas a sexo.

Em primeira análise, observa-se a errônea associação feita entre HIV e homoafetividade. Como narrado pelo biólogo Átila Iamarino, logo após sua descoberta, a doença causada pelo referido vírus era chamada de síndrome de gays. Isso porque, de fato, mais pessoas homossexuais contaminavam-se, por terem mais parceiros sexuais. Com o tempo entretanto, viu-se que qualquer pessoa pode ser contaminada, o que parte da sociedade insiste em ignorar, reproduzindo, assim, um estigma contra pessoas com essa doença que sugere que ser LGBT signifca ter HIV e vice-versa, o que dificulta o diálogo e, por conseguinte, a prevenção da enfermidade.

Outrossim, é preciso delinear o moralismo que têm as pessoas quanto a temas relacionados a sexo. Semelhante ao que o sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda escreve sobre a sociedade brasileira quanto a defender princípios que não segue de verdade, costuma-se impor um tabu sobre relações sexuais, como se não fosse algo natural do ser humano. Sendo esse o principal vetor de contágio do HIV, pois, a carência na educação sexual acarreta na criação de informações inverídicas sobre o tema dentre jovens, que se tornam adultos e reproduzem estigmas quanto à questão.

Portanto, propõe-se que o Ministério da Educação, por meio de portaria, insira na Base Nacional Comum Curricular conteúdos sobre HIV, focados em quebrar estigmas e mostrar seus problemas. Dessa forma, estar-se-á contribuindo para a diminuição da homofobia, bem como de falsos moralismos que apenas criam informações inverídicas que prejudicam a própria sociedade, mitigando a problemática em tela.