O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Na série “Como Defender um Assassino”, o personagem Oliver é diagnosticado como portador do vírus HIV, mas é compreendido e abraçado por Connor, seu companheiro, o que mostra que indivíduos soropositivos podem ter relacionamentos normais. No entanto, pode-se afirmar que a aceitação encontrada por Oliver não é algo universal, e no mundo real, muitos portadores do HIV sofrem com preconceito em seu dia a dia, o que torna importante a discussão sobre o estigma associado ao vírus da aids na sociedade brasileira. Nesse cenário, destacam-se a ignorância da população acerca do assunto e os problemas que a discriminação causa na vida daqueles que possuem a doença.

Em primeira análise, é possível observar que, embora seja uma doença que já obteve muita visibilidade ao longo do tempo, principalmente com a epidemia dos anos 80, ainda existe muita ignorância acerca da aids e de seu contágio, além da resistência por parte de alguns em permitir a discussão sobre o problema. Dessa forma, pode-se levar em consideração uma frase do filósofo francês Voltaire:“preconceito é opinião sem conhecimento”. Dito isso, deduz-se que a ignorância e a falta de discussão sobre o HIV causam o preconceito com aqueles que são portadores do vírus, o que causa inúmeras dificuldades em suas vidas.

Em segunda análise, é certo que, ao ser diagnosticado com a aids, o cidadão terá que lidar com todas as dificuldades decorrentes da doença em si e do tratamento, mas viver com o vírus torna-se ainda mais difícil quando é necessário enfrentar o estigma associado ao HIV na sociedade, devido ao possível afastamento de pessoas próximas, comentários maldosos e a perda de oportunidades profissionais. Desse modo, faz-se pertintente a análise da definição de saúde pela Organização Mundial da Saúde:“Saúde é o estado completo de bem-estar físico, social e mental, e não somente a ausência de doença”. Assim, infere-se que as situações de constrangimento e o isolamento que podem ocorrer devido ao preconceito relacionado à aids podem piorar a situação de saúde do paciente, pois prejudicam sua saúde mental e seu bem-estar social, o que causa o risco de problemas psicológicos e aumenta as chances de óbito, por tornar o tratamento mais árduo.

Diante disso, pode-se concluir que o estigma associado ao HIV na sociedade brasileira dificulta a vivência dos portadores da aids, e é imperioso que tal situação seja mitigada. Para tal, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de campanhas publicitárias em mídias como televisão e redes sociais, informe a população sobre as formas de transmissão e maneiras eficazes de se proteger contra o HIV. A partir disso, espera-se que tal medida combata a falta de conhecimento sobre a aids, de forma a impedir que aqueles que forem diagnosticados com a doença sejam discriminados.